{"id":10416,"date":"2018-10-11T13:41:12","date_gmt":"2018-10-11T16:41:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornaldaconstrucaocivil.com.br\/?p=10416"},"modified":"2018-10-11T14:23:26","modified_gmt":"2018-10-11T17:23:26","slug":"artigo-aspectos-contratuais-da-terceirizacao-na-construcao-civil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/construcaocivil.siriusmarketingedesign.com.br\/?p=10416","title":{"rendered":"Artigo: Aspectos contratuais da Terceiriza\u00e7\u00e3o na Constru\u00e7\u00e3o Civil"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Vanessa Tavares Lois\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #0000ff;\">Outubro, 2018<\/span> &#8211; Por maioria de votos, recentemente o plen\u00e1rio do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que \u00e9 constitucional o emprego de terceirizados nas atividades-fim das empresas. Embora desde a reforma trabalhista seja permitida a terceiriza\u00e7\u00e3o, existia um impasse em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s a\u00e7\u00f5es pendentes de julgamento anteriores \u00e0 lei, pois desde 2011, exceto em casos espec\u00edficos, o entendimento do Tribunal Superior do Trabalho (TST) era pela proibi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<figure id=\"attachment_10417\" aria-describedby=\"caption-attachment-10417\" style=\"width: 255px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-10417\" src=\"http:\/\/www.jornaldaconstrucaocivil.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Vanessa-Tavares-Lois-255x300.jpg\" alt=\"\" width=\"255\" height=\"300\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-10417\" class=\"wp-caption-text\">Vanessa Tavares Lois<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora mencionado que o modelo de produ\u00e7\u00e3o flex\u00edvel \u00e9 uma realidade em todo o mundo, e que a pr\u00f3pria Constitui\u00e7\u00e3o Federal possibilita essa configura\u00e7\u00e3o como uma estrat\u00e9gia das empresas para minimizar os riscos da atividade, para os sete Ministros do STF que votaram a favor da terceiriza\u00e7\u00e3o os direitos b\u00e1sicos do trabalhador devem ser observados e n\u00e3o haver\u00e1 precariza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse modelo de desenvolvimento das atividades sociais \u00e9 ben\u00e9fico para diversos segmentos, em especial para o ramo de constru\u00e7\u00e3o civil, ao possibilitar a redu\u00e7\u00e3o de diversos custos fixos. A contrata\u00e7\u00e3o de m\u00e3o-de-obra especializada para cada etapa tamb\u00e9m representa um ganho. Os contratados necessariamente ser\u00e3o empresas que det\u00eam\u00a0<i>know how,\u00a0<\/i>permitindo que a construtora concentre os esfor\u00e7os no gerenciamento da obra como um todo. Permite tamb\u00e9m uma expans\u00e3o organizada, na medida em que surge a demanda, evitando-se que equipes fiquem paralisadas e sem trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Justamente para assegurar que de fato essa estrat\u00e9gia seja ben\u00e9fica para as construtoras, em raz\u00e3o do fundamento dos votos proferidos pelos Ministros no julgamento da mat\u00e9ria, verifica-se que alguns cuidados devem ser tomados no ato da contrata\u00e7\u00e3o dos terceirizados. No intuito de preservar os direitos do trabalhador, a empresa ou pessoa tomadora dos servi\u00e7os poder\u00e1 vir a responder subsidiariamente pelas obriga\u00e7\u00f5es trabalhistas dos funcion\u00e1rios do terceiro, bem como, pelo recolhimento das contribui\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Inicialmente, recomenda-se que efetivamente seja firmado um contrato por escrito. Quanto aos requisitos, ainda que a contratante possa ser uma pessoa f\u00edsica ou jur\u00eddica, a prestadora de servi\u00e7os obrigatoriamente dever\u00e1 ser uma pessoa jur\u00eddica de direito privado devidamente constitu\u00edda, inscrita no CNPJ e com capital social compat\u00edvel com o n\u00famero de empregados, sendo para empresas com at\u00e9 dez empregados, capital m\u00ednimo de R$ 10.000,00; com mais de dez e at\u00e9 vinte empregados, capital m\u00ednimo de R$ 25.000,00; com mais de vinte e at\u00e9 cinquenta empregados, capital m\u00ednimo de R$ 45.000,00; com mais de cinquenta e at\u00e9 cem empregados, capital m\u00ednimo de R$ 100.000,00; e com mais de cem empregados, capital m\u00ednimo de R$ 250.000,00. Ou seja, exige a lei que o prestador de servi\u00e7os se caracterize efetivamente como uma empresa, que demonstre ser capaz de honrar os seus compromissos. N\u00e3o pode ser uma &#8220;empresa de fachada&#8221;. As obriga\u00e7\u00f5es de cada uma das partes (tomador e prestadora de servi\u00e7os) tamb\u00e9m devem constar do contrato. Dentre elas, deve-se deixar claro que \u00e9 da prestadora de servi\u00e7os a responsabilidade pelo pagamento dos d\u00e9bitos trabalhistas e previdenci\u00e1rios dos seus funcion\u00e1rios, bem como definir de quem ser\u00e1 a obriga\u00e7\u00e3o de fornecer todos os equipamentos de seguran\u00e7a necess\u00e1rios ao desempenho das atividades contratadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A fim de evitar discuss\u00f5es no \u00e2mbito da Justi\u00e7a do Trabalho, n\u00e3o s\u00f3 no contrato, mas de fato, a equipe contratada dever\u00e1 ficar subordinada diretamente aos representantes legais da prestadora, ficando a encargo desta distribuir, coordenar os trabalhos, o cronograma para a sua realiza\u00e7\u00e3o e hor\u00e1rios, atrav\u00e9s de registro em cart\u00e3o-ponto ou ficha-ponto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por sua vez, constitui direito do tomador exigir a qualquer momento a substitui\u00e7\u00e3o do profissional que n\u00e3o demonstrar capacita\u00e7\u00e3o para a execu\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os contratados ou descumprir qualquer das suas normas de conduta ou seguran\u00e7a. Justamente por ainda permanecer o risco de responsabilidade do tomador, no contrato pode-se ajustar o seu direito de fiscalizar e obter a c\u00f3pia dos documentos que efetivamente comprovem o cumprimento das normas trabalhistas e previdenci\u00e1rias (INSS, FGTS, sal\u00e1rios, cart\u00f5es-pontos e outros) por parte da prestadora. Inclusive, a respectiva comprova\u00e7\u00e3o pode ser condi\u00e7\u00e3o para pagamento dos servi\u00e7os contratados e, no caso de inobserv\u00e2ncia, at\u00e9 mesmo justificar a rescis\u00e3o do contrato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No ramo de constru\u00e7\u00e3o civil uma pr\u00e1tica comum, visando fazer frente a poss\u00edveis despesas que o tomador tenha que arcar, \u00e9 a fixa\u00e7\u00e3o de um percentual de reten\u00e7\u00e3o do pagamento dos servi\u00e7os, que somente \u00e9 liberado ap\u00f3s a conclus\u00e3o do contrato e a comprova\u00e7\u00e3o de que as verbas trabalhistas e previdenci\u00e1rias foram devidamente cumpridas pela prestadora de servi\u00e7os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda que todos os cuidados indicados acima sejam tomados, caso o tomador venha a responder por alguma demanda na Justi\u00e7a do Trabalho de responsabilidade da prestadora dos servi\u00e7os, caber\u00e1 ao primeiro o direito de regresso contra a \u00faltima em a\u00e7\u00e3o movida na Justi\u00e7a Comum, podendo a prestadora ser condenada a indenizar todos os preju\u00edzos experimentados pelo tomador. Agora, se a prestadora n\u00e3o tiver patrim\u00f4nio para honrar a condena\u00e7\u00e3o que lhe foi imposta, no final, o que restar\u00e1 ser\u00e1 o preju\u00edzo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, a fim de evitar problemas futuros, a grande li\u00e7\u00e3o que se extrai \u00e9 a de que a terceiriza\u00e7\u00e3o, seja ela da atividade-fim ou da atividade-meio, deve ser realizada de forma respons\u00e1vel, sendo que em \u00faltima an\u00e1lise, o tomador acaba se tornando um agente fiscalizador do cumprimento das obriga\u00e7\u00f5es trabalhistas da prestadora de servi\u00e7os.<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><em><strong><span style=\"color: #993300;\">Vanessa Tavares Lois<\/span><\/strong> \u00e9 advogada da \u00c1rea Corporativa do Marins Bertoldi Advogados<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Vanessa Tavares Lois\u00a0 Outubro, 2018 &#8211; Por maioria de votos, recentemente o plen\u00e1rio do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que \u00e9 constitucional o emprego de terceirizados nas atividades-fim das empresas. 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