{"id":1133,"date":"2016-03-22T16:47:02","date_gmt":"2016-03-22T16:47:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornaldaconstrucaocivil.com.br\/?p=1133"},"modified":"2016-03-22T16:47:02","modified_gmt":"2016-03-22T16:47:02","slug":"neocolonialismo-ecologico-e-ameaca-global","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/construcaocivil.siriusmarketingedesign.com.br\/?p=1133","title":{"rendered":"Neocolonialismo ecol\u00f3gico \u00e9 amea\u00e7a global"},"content":{"rendered":"<div><span style=\"color: #ff0000;\">Por Reinaldo Dias\u00a0<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"color: #0000ff;\">Um dos maiores desafios para a implementa\u00e7\u00e3o, a partir deste ano, dos 17 objetivos do Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (OS) \u00e9 a perman\u00eancia de rela\u00e7\u00e3o perversa entre os pa\u00edses desenvolvidos (Norte) e os pa\u00edses em desenvolvimento (Sul) que pode ser caracterizada como de neocolonialismo ecol\u00f3gico.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"color: #000000;\">\u00a0<\/span><\/div>\n<div><span style=\"color: #000000;\">Historicamente os pa\u00edses do hemisf\u00e9rio norte exploram de forma predat\u00f3ria a natureza dos pa\u00edses do sul, por meio de pol\u00edticas econ\u00f4micas agressivas ao meio ambiente.<\/span><span style=\"color: #000000;\">Nessas rela\u00e7\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o, a natureza sempre foi a derrotada; perde quando os recursos naturais s\u00e3o extra\u00eddos de forma abusiva e quando recebe os res\u00edduos que a sociedade de consumo produz em grande quantidade. Florestas s\u00e3o transformadas em cinzas para dar lugar a monoculturas e \u00e0 pecu\u00e1ria.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"color: #000000;\">\u00a0<\/span><\/div>\n<div><span style=\"color: #000000;\">\u00c9 exemplo emblem\u00e1tico atual o que ocorre na Indon\u00e9sia, onde as madeireiras est\u00e3o destruindo as florestas para exportar madeira para os pa\u00edses em desenvolvimento. No local, plantam Palma para produ\u00e7\u00e3o de \u00f3leo, que por ironia ainda rotulam o produto gerado \u2013\u00f3leo de palma \u2013 como combust\u00edvel ecol\u00f3gico (biodiesel). Na Amaz\u00f4nia s\u00e3o destru\u00eddas grandes \u00e1reas de floresta para a cria\u00e7\u00e3o de pastagens e, no cerrado do Brasil central, a destrui\u00e7\u00e3o ocorre para a produ\u00e7\u00e3o de soja e outras commodities para exporta\u00e7\u00e3o.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"color: #000000;\">\u00a0<\/span><\/div>\n<div><span style=\"color: #000000;\">A express\u00e3o concreta dessa nova forma de neocolonialismo \u00e9 a d\u00edvida ecol\u00f3gica que pode ser entendida como a responsabilidade que tem os pa\u00edses industrializados pela destrui\u00e7\u00e3o gradativa do planeta como resultado de seu modo de produ\u00e7\u00e3o e consumo, caracter\u00edstico de um modelo de desenvolvimento, fortalecido pela globaliza\u00e7\u00e3o e que amea\u00e7a a integridade dos ecossistemas e da biodiversidade. Inclusive a da esp\u00e9cie humana.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"color: #000000;\">\u00a0<\/span><\/div>\n<div><span style=\"color: #000000;\">O n\u00edvel de vida que ostentam os pa\u00edses desenvolvidos se deve ao imenso fluxo de bens materiais naturais e explora\u00e7\u00e3o da m\u00e3o-de-obra dos pa\u00edses em desenvolvimento, acrescido dos danos sociais e ambientais que a extra\u00e7\u00e3o destes bens provoca. \u00c9 um modelo que, na realidade, \u00e9 subsidiado pelos pa\u00edses do Sul.<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"color: #000000;\">Atualmente, os mecanismos de explora\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses mais ricos, portanto o aumento da d\u00edvida ecol\u00f3gica, se aperfei\u00e7oaram, utilizando, principalmente, a atividade das corpora\u00e7\u00f5es transnacionais como ponta de lan\u00e7a dessa a\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria.<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"color: #000000;\">Os novos mecanismos de domina\u00e7\u00e3o e consequentemente de gera\u00e7\u00e3o de mais d\u00edvida ecol\u00f3gica s\u00e3o, entre outros: investimentos vinculados a posse de \u00e1reas naturais, programas de privatiza\u00e7\u00e3o de \u00e1reas sens\u00edveis do ponto de vista social e ambiental, acordos de propriedade intelectual que n\u00e3o levam em considera\u00e7\u00e3o a apropria\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica de conhecimentos pelas comunidades (ribeirinhas, ind\u00edgenas, caboclos, extrativistas) e a biopirataria.<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"color: #000000;\">Al\u00e9m disso, h\u00e1 hoje um fluxo de minerais, recursos energ\u00e9ticos, madeira, produtos da agricultura e da pesca dos pa\u00edses em desenvolvimento para os pa\u00edses desenvolvidos muito superior ao fluxo de recursos naturais em sentido contr\u00e1rio. Isso pode ser descrito como um aumento da base natural de sustenta\u00e7\u00e3o das economias industrializadas em detrimento das popula\u00e7\u00f5es dos pa\u00edses em desenvolvimento afetadas.<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"color: #000000;\">Consequentemente, a pegada ecol\u00f3gica dos pa\u00edses ricos sobre a biosfera supera em muito o territ\u00f3rio que ocupam, n\u00e3o somente pelo volume e recursos que extraem dos outros territ\u00f3rios, mas, tamb\u00e9m pelos res\u00edduos t\u00f3xicos que lhes deixam ou lhes exportam (muitas vezes ilegalmente), pelos nutrientes naturais e a \u00e1gua que levam os produtos agr\u00edcolas e pecu\u00e1rios importados pelos pa\u00edses do Norte e pela deteriora\u00e7\u00e3o ambiental que provoca a obten\u00e7\u00e3o desses recursos exportados. Os pa\u00edses desenvolvidos, al\u00e9m disso, fazem uso dos sumidouros dos gases de efeito estufa (florestas, por exemplo) em uma propor\u00e7\u00e3o muito maior que lhes corresponderia por sua popula\u00e7\u00e3o.<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"color: #000000;\">O problema dessa rela\u00e7\u00e3o \u00e9 agravado pela atribui\u00e7\u00e3o injusta de pre\u00e7os pelo atual sistema econ\u00f4mico aos distintos fatores produtivos. Enquanto os pa\u00edses em desenvolvimento se especializam nos processos de extra\u00e7\u00e3o e elabora\u00e7\u00e3o fisicamente mais caros e degradantes e economicamente menos valorizados, os pa\u00edses do Norte o fazem nas fases de menor investimento e que s\u00e3o mais valorizadas do processo econ\u00f4mico e na gest\u00e3o comercial e financeira. Ao se valorizar pouco os recursos naturais e os servi\u00e7os que prestam os ecossistemas, quem vive de sua venda \u00e9 discriminado e fica mais pobre, e al\u00e9m do mais n\u00e3o h\u00e1 incentivo econ\u00f4mico para reduzir seu consumo.<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"color: #000000;\">Os pa\u00edses ricos, por sua parte, acumulam dinheiro pela venda de recursos supervalorizados (que proporcionam maior valor agregado), e ao faz\u00ea-lo acumulam uma capacidade aquisitiva desproporcional que os incentiva a consumir produtos e servi\u00e7os naturais sem nenhuma considera\u00e7\u00e3o de sustentabilidade. Uma paralisante d\u00edvida externa (monet\u00e1ria) se mant\u00e9m entre os pa\u00edses endividados e os empurra a explorar ainda mais intensamente seu meio natural para poder pag\u00e1-la.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"color: #000000;\">\u00a0<\/span><\/div>\n<div><span style=\"color: #000000;\"><strong><em>*Reinaldo Dias<\/em><\/strong><em> \u00e9 professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, campus Campinas. Doutor em Ci\u00eancias Sociais e mestre em Ci\u00eancia Pol\u00edtica. \u00c9 especialista em Ci\u00eancias Ambientais <\/em><\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Reinaldo Dias\u00a0 Um dos maiores desafios para a implementa\u00e7\u00e3o, a partir deste ano, dos 17 objetivos do Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (OS) \u00e9 a perman\u00eancia de rela\u00e7\u00e3o perversa entre os pa\u00edses desenvolvidos (Norte) e os pa\u00edses em desenvolvimento (Sul) que pode ser caracterizada como de neocolonialismo ecol\u00f3gico. \u00a0 Historicamente os pa\u00edses do hemisf\u00e9rio norte exploram de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"quote","meta":{"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[37],"tags":[1441,3757,3853,5764,8090,9424,10156],"class_list":["post-1133","post","type-post","status-publish","format-quote","hentry","category-sustentabilidade","tag-biopirataria","tag-divida-ecologica","tag-ecologia","tag-hemisferio-norte-explora-o-sul","tag-neocolonialismo-ecologico","tag-problema-global","tag-reinaldo-dias","post_format-post-format-quote"],"blocksy_meta":[],"spectra_blocks_featured_image_url":null,"spectra_blocks_author_info":{"display_name":"Jornal da Constru\u00e7\u00e3o Civil","avatar_url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/973c9774fd44ddaceb026973c4962faa70fc512bc4c9da68e8ebb40fecee6540?s=96&d=mm&r=g","author_link":"https:\/\/construcaocivil.siriusmarketingedesign.com.br\/?author=1","description":"Desde de 2013, levando muitas informa\u00e7\u00f5es, lan\u00e7amentos e produtos de qualidade para toda cadeia produtiva da constru\u00e7\u00e3o. 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