{"id":18705,"date":"2022-02-21T23:08:13","date_gmt":"2022-02-22T02:08:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornaldaconstrucaocivil.com.br\/?p=18705"},"modified":"2022-02-21T23:08:13","modified_gmt":"2022-02-22T02:08:13","slug":"artigo-o-brasil-que-desmorona","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/construcaocivil.siriusmarketingedesign.com.br\/?p=18705","title":{"rendered":"Artigo: O Brasil que desmorona"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><i><strong>Por: Paulo C\u00e9sar Alves Rocha*<\/strong><\/i>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As chuvas mais intensas existem em ciclos de anos. Usualmente temos chuvas de cinco em cinco anos, vinte em vinte e assim por diante. Com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas que estamos vivendo, estes ciclos est\u00e3o se tornando cada vez mais curtos. Estamos convivendo com chuvas que chegam a 200mm por dia em certos locais, o que \u00e9 um n\u00famero que por vezes se aproxima do esperado para um m\u00eas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_18706\" aria-describedby=\"caption-attachment-18706\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-18706\" src=\"https:\/\/www.jornaldaconstrucaocivil.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/ARTIGO-PAULO-CESAR-300x199.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"199\" srcset=\"https:\/\/construcaocivil.siriusmarketingedesign.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/ARTIGO-PAULO-CESAR-300x199.jpg 300w, https:\/\/construcaocivil.siriusmarketingedesign.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/ARTIGO-PAULO-CESAR-768x509.jpg 768w, https:\/\/construcaocivil.siriusmarketingedesign.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/ARTIGO-PAULO-CESAR-450x300.jpg 450w, https:\/\/construcaocivil.siriusmarketingedesign.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/ARTIGO-PAULO-CESAR.jpg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-18706\" class=\"wp-caption-text\">Paulo C\u00e9sar Alves Rocha &#8211; especialista em infraestrutura, log\u00edstica e mercado exterior ( Onevox Brasil)<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os seus efeitos est\u00e3o sendo sentidos nestes dois \u00faltimos meses com mais intensidade. O recente epis\u00f3dio em Petr\u00f3polis-RJ, al\u00e9m dos alagamentos na Bahia, Minas Gerais, no Esp\u00edrito Santo e na bacia do Rio S\u00e3o Francisco, Regi\u00e3o Sul e Baixada Fluminense, tivemos tamb\u00e9m alagamentos e desmoronamentos de encostas em S\u00e3o Paulo.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vem a pergunta, o que devemos fazer para evitar tais desastres? Como evitar os desmoronamentos e os alagamentos? Embora todos dois tipos de desastres se devam a uma falta de planeamento do uso do solo e de a\u00e7\u00f5es efetivas dos Governos, vamos dividi-las para tentar dar as respostas. Os desmoronamentos que causam trag\u00e9dias urbanas se devem a constru\u00e7\u00f5es feitas em locais impr\u00f3prios, grosso modo quase todos n\u00f3s sabemos que encostas a mais de 45\u00b0 correm riscos de desmoronar, mas as pessoas que constroem suas casas nestes locais o fazem por falta absoluta de um outro local mais seguro.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, temos duas faltas de a\u00e7\u00e3o do Estado, a de n\u00e3o prever e prover habita\u00e7\u00f5es ou locais para habita\u00e7\u00f5es para os mais pobres e necessitados, e a de deixar que constru\u00e7\u00f5es sejam feitas em locais nas encostas. A grande maioria dos locais sujeitos a desmoronamentos est\u00e1 mapeada, havendo inclusive em muitas \u00e1reas sirenes para avisar de chuvas com maior precipita\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o a resposta para o primeiro caso \u00e9 simples, os Governos devem providenciar a constru\u00e7\u00e3o de casas para estas pessoas em \u00e1reas pr\u00f3ximas e convidar as pessoas que habitam \u00e1reas de risco para mudan\u00e7a.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os Governos t\u00eam nos \u00faltimos anos, sempre que acontecem desmoronamentos, pago por alguns meses aluguel social para as pessoas em que o risco de desmoronamento \u00e9 muito grande, se planejado estes valores de alugu\u00e9is sociais pagos podem ser usados para viabilizar o financiamento da constru\u00e7\u00e3o de novas unidades habitacionais.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existem outras medidas que podem ajudar como verificar se existem habita\u00e7\u00f5es seguras que possam ser vendidas ou alugadas para serem pagas com os valores dos alugu\u00e9is sociais, desenvolver cidades no interior para que reverta a migra\u00e7\u00e3o para as grandes cidades, implantar loteamentos com infraestrutura para que neles possam ser constru\u00eddas as habita\u00e7\u00f5es, mas deve sempre se prever locais seguros e a\u00ed sim proibir efetivamente a constru\u00e7\u00e3o em \u00e1reas de risco de desmoronamentos.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a quest\u00e3o dos alagamentos, temos que ter em mente que antes de constru\u00e7\u00f5es ou uso agr\u00edcola das \u00e1reas, o solo retinha grande quantidade de \u00e1guas de chuvas, o que na atualidade deixou de existir. N\u00e3o houve um planejamento dos usos do solo e temos uma situa\u00e7\u00e3o de fato, dif\u00edcil de ser revertida. Os Governos, assim como foi feito para os riscos de desmoronamento, devem fazer um detalhado estudo de risco de escoamento das \u00e1guas de chuvas para o estado atual do uso do solo e para chuvas at\u00edpicas de 200mm num dia, estudando como as \u00e1guas escoam, quais obst\u00e1culos que encontram, quais as dimens\u00f5es das canaliza\u00e7\u00f5es e v\u00e3os livres embaixo de pontes.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No estudo deve ser levado em conta o real estado de assoreamento dos rios e reservat\u00f3rios. Deste estudo vir\u00e3o as proposi\u00e7\u00f5es desde mudan\u00e7as no tipo e forma de uso agr\u00edcola at\u00e9 obras para redimensionamento de canaliza\u00e7\u00f5es, reten\u00e7\u00e3o de \u00e1guas em barragens ou cisternas, aumento no v\u00e3o livre de pontes.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m deste estudo indicar\u00e1, no caso de alagamentos de \u00e1reas muito grandes e invi\u00e1veis de remo\u00e7\u00e3o, as providencias que devem ser adotadas nos casos de chuvas de maior intensidade, podendo-se chegar ao detalhe de chuvas at\u00e9 tantos mm adotar uma s\u00e9rie de providencias, maiores precipita\u00e7\u00f5es outros tipos de provid\u00eancias e assim por diante.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isto porque existem \u00e1reas urbanizadas a tal ponto, que nenhuma obra \u00e9 poss\u00edvel para conter chuvas de mais de 100 mm por dia e a remo\u00e7\u00e3o de edif\u00edcios altos \u00e9 imposs\u00edvel. Importante destacar que lixo, objetos e restos de obras jogados nas vias p\u00fablicas ajudam a causar alagamentos, deve se fazer a popula\u00e7\u00e3o a colaborar no sentido de dar destino certo a eles. Outro ponto a destacar \u00e9 que feito o levantamento, o uso do solo urbano ou agr\u00edcola deve seguir um planejamento, porque sen\u00e3o adotado os problemas n\u00e3o ter\u00e3o fim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #993300;\"><i><strong>*Paulo C\u00e9sar Alves Rocha<\/strong> \u00e9 especialista em infraestrutura, log\u00edstica e com\u00e9rcio exterior com mais de 50 anos de experi\u00eancia em infraestrutura, transportes, log\u00edstica, inova\u00e7\u00e3o, pol\u00edticas p\u00fablicas de habita\u00e7\u00e3o, saneamento e com\u00e9rcio exterior brasileiro. Mestre em Econom\u00eda y Finanzas Internacionales y Com\u00e9rcio Exterior e p\u00f3s-graduado em Com\u00e9rcio Internacional pela Universidade de Barcelona. \u00c9 mestre em Engenharia de Transportes (Planejamento Estrat\u00e9gico, Engenharia e Log\u00edstica) pela COPPE-UFRJ. P\u00f3sgraduado em Engenharia de Transportes pela UFRJ e graduado em Engenharia Industrial Mec\u00e2nica pela Universidade Federal Fluminense. Tem diversos livros editados nas Edi\u00e7\u00f5es Aduaneiras<\/i><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Paulo C\u00e9sar Alves Rocha* As chuvas mais intensas existem em ciclos de anos. Usualmente temos chuvas de cinco em cinco anos, vinte em vinte e assim por diante. Com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas que estamos vivendo, estes ciclos est\u00e3o se tornando cada vez mais curtos. 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