{"id":19809,"date":"2022-08-02T00:39:16","date_gmt":"2022-08-02T03:39:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornaldaconstrucaocivil.com.br\/?p=19809"},"modified":"2022-08-02T00:44:29","modified_gmt":"2022-08-02T03:44:29","slug":"projeto-de-energia-justa-popular-e-democratica-sao-debatidos-na-tenda-do-mab-durante-fospa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/construcaocivil.siriusmarketingedesign.com.br\/?p=19809","title":{"rendered":"Projeto de Energia Justa, Popular e Democr\u00e1tica s\u00e3o debatidos na tenda do MAB durante FOSPA"},"content":{"rendered":"<div class=\"author\">por\u00a0<span style=\"color: #0000ff;\"><a style=\"color: #0000ff;\" href=\"https:\/\/mab.org.br\/autor\/roberta-brandao\/\">Roberta Brand\u00e3o<\/a><\/span><\/div>\n<p>No \u00faltimo s\u00e1bado, 30, o MAB organizou um debate sobre experi\u00eancias de transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica na Amaz\u00f4nia durante o X\u00a0<em><strong>F\u00f3rum<\/strong><\/em>\u00a0Social\u00a0<em><strong>Pan-Amaz\u00f4nico<\/strong><\/em>\u00a0(Fospa), que aconteceu em Bel\u00e9m (PA) de 28 a 31 de julho.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201cEsse sol que a gente est\u00e1 pegando aqui, \u00e9 um sol muito forte. Vai esquentar essa tenda e ela vai passar de quarenta graus \u00e0 tarde. O sol que irradia em um dia aqui em Bel\u00e9m do Par\u00e1, capital das resist\u00eancias, \u00e9 o suficiente para gerar mil dias de energia que o mundo precisa para sobreviver\u201d, afirmou Francisco Kelvim, integrante da coordena\u00e7\u00e3o nacional do MAB, durante sua fala no encontro, ilustrando o potencial da Amaz\u00f4nia para a produ\u00e7\u00e3o de energia solar.<\/p><\/blockquote>\n<p>O debate tamb\u00e9m contou com a participa\u00e7\u00e3o de Marcelo Montenegro, da Funda\u00e7\u00e3o Heinrich B\u00f6el, de Luz Gon, assessora de meio ambiente da Central \u00fanica dos Trabalhadores \u2013 CUT, e de Jordi Besora, da Alianza Contra la\u00a0Pobreza Energ\u00e9tica \u2013 organiza\u00e7\u00e3o da Catalunha (Espanha).<\/p>\n<p>Ainda segundo Kelvim, os pa\u00edses precisam garantir a produ\u00e7\u00e3o, gera\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de energia para as suas popula\u00e7\u00f5es de forma justa e com soberania, porque existe uma corrida pelo dom\u00ednio do setor energ\u00e9tico. \u201cOs nossos rios, os nossos territ\u00f3rios e at\u00e9 a vida do nosso povo e das nossas comunidades s\u00e3o disputados por empreendedores que colocam o lucro acima da vida\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>A matriz energ\u00e9tica mundial \u00e9 composta, em sua maioria, por fontes n\u00e3o renov\u00e1veis \u2013 os combust\u00edveis f\u00f3sseis como petr\u00f3leo, carv\u00e3o mineral e g\u00e1s natural<\/p>\n<h3>Princ\u00edpios de um modelo energ\u00e9tico popular<\/h3>\n<div id=\"single-the-content\">\n<p>Na segunda edi\u00e7\u00e3o da revista enMARcha, publicada em maio deste ano, o Movimiento de Afectados por Represas \u2013 MAR apresentou princ\u00edpios que norteiam um modelo energ\u00e9tico popular para o Brasil, para a Am\u00e9rica Latina e para o mundo. As diretrizes foram estabelecidas a partir de uma discuss\u00e3o entre representantes de dezenove pa\u00edses, com diferentes contextos econ\u00f4micos e sociais.<\/p>\n<p>O primeiro princ\u00edpio diz que a energia \u00e9 um direito humano e todo mundo tem que ter acesso garantido a ele. \u201cIsso \u00e9 uma premissa chave para se satisfazer de forma direta e indireta todas as necessidades da popula\u00e7\u00e3o, porque a gente precisa ter energia pra estudar, pra trabalhar, pra ter sa\u00fade. Ou seja, a energia n\u00e3o pode ser uma mercadoria\u201d, explica Kelvim.<\/p>\n<figure id=\"attachment_19811\" aria-describedby=\"caption-attachment-19811\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-19811\" src=\"https:\/\/www.jornaldaconstrucaocivil.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/MAB-II-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/construcaocivil.siriusmarketingedesign.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/MAB-II-300x200.jpg 300w, https:\/\/construcaocivil.siriusmarketingedesign.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/MAB-II-768x512.jpg 768w, https:\/\/construcaocivil.siriusmarketingedesign.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/MAB-II.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-19811\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Igor Meirelles \/ MAB<\/figcaption><\/figure>\n<p>O segundo princ\u00edpio \u00e9 relacionado \u00e0 sustentabilidade energ\u00e9tica, porque as fontes renov\u00e1veis precisam ser priorizadas e adotadas pelos governos. \u201cE n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 sobre tecnologia que estamos discutindo. A gente est\u00e1 falando tamb\u00e9m que n\u00e3o podemos mais ter essa quantidade de atingidos e atingidas por barragens no Brasil e no mundo. E o nosso papel \u00e9 n\u00e3o deixar que esse pr\u00f3ximo governo permita que o setor energ\u00e9tico do Brasil seja de novo sequestrado pelas grandes empresas\u201d, explica Kelvim.<\/p>\n<p>O terceiro princ\u00edpio \u00e9 a apropria\u00e7\u00e3o popular das tecnologias alternativas, como no caso do chamado projeto \u201cVeredas Sol e Lares\u201d, uma usina h\u00edbrida (hidrel\u00e9trica e solar), que est\u00e1 sendo constru\u00edda com a participa\u00e7\u00e3o popular, no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. De forma pioneira, a popula\u00e7\u00e3o ser\u00e1 envolvida na pesquisa de campo, na constru\u00e7\u00e3o da usina e na cria\u00e7\u00e3o de um plano de desenvolvimento social para o territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>Na Amaz\u00f4nia, outra refer\u00eancia \u00e9 o projeto \u201cUso de Tecnologias Sociais para a Redu\u00e7\u00e3o do Desmatamento\u201d, implementado em Rond\u00f4nia, Mato Grosso, Par\u00e1 e Tocantins. Financiada pelo Fundo Amaz\u00f4nia, a iniciativa possibilitou a instala\u00e7\u00e3o e a capacita\u00e7\u00e3o para a gest\u00e3o de placas solares em propriedades de fam\u00edlias atingidas nestes estados. Al\u00e9m disso, o projeto permitiu o reflorestamento dos territ\u00f3rios beneficiados com o plantio de cinquenta e seis mil mudas de \u00e1rvores.<\/p>\n<p>Em sua fala, Marcelo Montenegro,\u00a0coordenador da \u00e1rea de justi\u00e7a socioambiental da Funda\u00e7\u00e3o Harisbol no Brasil, apresentou novas fontes de energia renov\u00e1vel, como o hidrog\u00eanio verde. Ele explicou que no estado do Cear\u00e1, por exemplo, j\u00e1 h\u00e1 mais de 40 projetos que estudam a implementa\u00e7\u00e3o dessa alternativa. \u201cH\u00e1 uma necessidade a m\u00e9dio e longo prazo de se diversificar a matriz e buscar fontes de energia mais limpas e o hidrog\u00eanio pode contribuir para essa transi\u00e7\u00e3o\u201d, defendeu. Marcelo ressaltou que \u2013 como essa \u00e9 uma alternativa nova \u2013 existe a possibilidade de se discutir democraticamente sua implementa\u00e7\u00e3o desde o in\u00edcio. \u201cQuais s\u00e3o as necessidades e\u00a0as condi\u00e7\u00f5es para que isso possa acontecer sem que haja um\u00a0impacto naqueles que moram, nas pessoas do territ\u00f3rio?\u201d, questionou o dirigente.<\/p>\n<p>Ao todo, o Fospa reuniu mais de cinco\u00a0 mil pessoas incluindo Ind\u00edgenas, quilombolas, ribeirinhos, camponeses e integrantes de diferentes movimentos sociais para debater de quest\u00f5es econ\u00f4micas, sociais e ambientais relacionadas \u00e0 regi\u00e3o Amaz\u00f4nica.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"post-content--tags\"><\/div>\n<p>ainda constituem grande parte da energia utilizada em todo o mundo. Essas fontes est\u00e3o concentradas em alguns pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e s\u00e3o as maiores causadoras da emiss\u00e3o de gases do efeito estufa no mundo. Por isso, Luz Gon defendeu que o povo precisa ser protagonista das solu\u00e7\u00f5es para a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e garantir os direitos dos trabalhadores do setor. \u201cA gente n\u00e3o quer uma transi\u00e7\u00e3o a qualquer custo. Isso \u00e9 uma coisa que a gente vem discutindo dentro da CUT. Ent\u00e3o, o que a gente quer? A gente tem feito a discuss\u00e3o sobre uma transi\u00e7\u00e3o justa, que precisa ser constru\u00edda coletivamente a partir do di\u00e1logo\u201d, afirmou a assessora.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por\u00a0Roberta Brand\u00e3o No \u00faltimo s\u00e1bado, 30, o MAB organizou um debate sobre experi\u00eancias de transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica na Amaz\u00f4nia durante o X\u00a0F\u00f3rum\u00a0Social\u00a0Pan-Amaz\u00f4nico\u00a0(Fospa), que aconteceu em Bel\u00e9m (PA) de 28 a 31 de julho. \u201cEsse sol que a gente est\u00e1 pegando aqui, \u00e9 um sol muito forte. 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