{"id":20424,"date":"2022-11-11T14:16:15","date_gmt":"2022-11-11T17:16:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornaldaconstrucaocivil.com.br\/?p=20424"},"modified":"2022-11-11T14:16:15","modified_gmt":"2022-11-11T17:16:15","slug":"crime-historico-e-persistente-negros-maioria-da-populacao-brasileira-sao-os-mais-prejudicados-por-falta-de-acesso-acesso-a-emprego-educacao-seguranca-habitacao-e-saneamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/construcaocivil.siriusmarketingedesign.com.br\/?p=20424","title":{"rendered":"Crime hist\u00f3rico e persistente: Negros, maioria da popula\u00e7\u00e3o brasileira s\u00e3o os mais prejudicados por falta de acesso acesso a emprego, educa\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a, habita\u00e7\u00e3o e saneamento"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Estudo apresentado pelo IBGE nesta sexta-feira(11), mostra um quadro econ\u00f4mico terr\u00edvel e preocupante em rela\u00e7\u00e3o aos negros brasileiros quanto se compara aos brancos, especialmente quando se fala de emprego, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o , renda e saneamento. \u00c9 quase inexistente mobilidade s\u00f3cio econ\u00f4mica para os afrodescendentes que vivem aqui num pa\u00eds chamado Brasil.<\/p>\n<p><span style=\"color: #008080;\">Segue os dados e release do IBGE publicado na manh\u00e3 desta sexta-feira(11).<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul class=\"resumo-noticia\">\n<li>\n<h4><span style=\"color: #993300;\">Destaques<\/span><\/h4>\n<\/li>\n<li>Em 2021, considerando-se a linha de pobreza monet\u00e1ria proposta pelo Banco Mundial, a propor\u00e7\u00e3o de pessoas pobres no pa\u00eds era de 18,6% entre os brancos e praticamente o dobro entre os pretos (34,5%) e entre os pardos (38,4%).<\/li>\n<li>Em 2021, a taxa de desocupa\u00e7\u00e3o foi de 11,3% para a popula\u00e7\u00e3o branca, 16,5% para a preta e 16,2% para a parda. J\u00e1 as taxas de subutiliza\u00e7\u00e3o destas popula\u00e7\u00f5es foram, respectivamente, 22,5%, 32,0% e 33,4%.<\/li>\n<li>Em 2021, a taxa de informalidade da popula\u00e7\u00e3o ocupada era 40,1%, sendo 32,7% para os brancos, 43,4% para os pretos e 47,0% para os pardos.<\/li>\n<li>O rendimento m\u00e9dio dos trabalhadores brancos (R$3.099) superava muito o de pretos (R$1.764) e pardos (R$1.814) em 2021.<\/li>\n<li>Mais da metade (53,8%) dos trabalhadores do pa\u00eds em 2021 eram pretos ou pardos, mas esses grupos, somados, ocupavam apenas 29,5% dos cargos gerenciais, enquanto os brancos ocupavam 69,0% deles.<\/li>\n<li>Pretos e pardos enfrentam maior inseguran\u00e7a de posse da moradia: 20,8% das pessoas pardas e 19,7% das pessoas pretas residentes em domic\u00edlios pr\u00f3prios n\u00e3o tinham documenta\u00e7\u00e3o da propriedade, enquanto a propor\u00e7\u00e3o entre as pessoas brancas era praticamente a metade (10,1%).<\/li>\n<li>Segundo o Censo Agro 2017, entre os propriet\u00e1rios de grandes estabelecimentos agropecu\u00e1rios (com mais de 10 mil hectares), 79,1% eram brancos, enquanto apenas 17,4% eram pardos e 1,6% eram pretos.<\/li>\n<li>Em 2020, houve 49,9 mil homic\u00eddios no pa\u00eds, ou 23,6 mortes por 100 mil habitantes. Entre as pessoas brancas, a taxa foi de 11,5 mortes por 100 mil habitantes. Entre as pessoas pardas, a taxa foi de 34,1 mortes por 100 mil habitantes e, entre as pessoas pretas, foi de 21,9 mortes por 100 mil habitantes.<\/li>\n<li>Nas \u00e1reas de gradua\u00e7\u00e3o presencial com maior n\u00famero de matr\u00edculas em 2020, as maiores propor\u00e7\u00f5es de pretos e pardos estavam em pedagogia (11,6% de pretos e 36,2% de pardos) e enfermagem (8,5% de pretos e 35,2% de pardos). J\u00e1 o curso de medicina tinha apenas 3,2% de matriculados pretos e 21,8% de pardos.<\/li>\n<li>Os dados s\u00e3o do estudo Desigualdades Sociais por Cor ou Ra\u00e7a no Brasil, que analisa as desigualdades entre brancos, pretos, pardos, amarelos e ind\u00edgenas em cinco temas: trabalho, distribui\u00e7\u00e3o de renda, moradia, educa\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia e representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/li>\n<\/ul>\n<p>As desigualdades sociais por cor ou ra\u00e7a seguem evidentes no mercado de trabalho. A desocupa\u00e7\u00e3o, a subutiliza\u00e7\u00e3o e a informalidade continuam atingindo mais pretos e pardos do que os brancos. Em 2021, as taxas de desocupa\u00e7\u00e3o foram de 11,3% para os brancos, de 16,5% para os pretos e de 16,2% para os pardos. No ano anterior, esses percentuais foram de 11,1%, 17,4% e 15,5%, respectivamente. Os dados s\u00e3o do estudo Desigualdades Sociais por Cor ou Ra\u00e7a no Brasil, divulgado hoje (11) pelo IBGE.<\/p>\n<p>\u201cAs popula\u00e7\u00f5es preta e parda representam 9,1% e 47% da popula\u00e7\u00e3o brasileira, respectivamente. Mas, nos indicadores que refletem melhores n\u00edveis de condi\u00e7\u00f5es de vida, a participa\u00e7\u00e3o dessas popula\u00e7\u00f5es \u00e9 mais baixa\u201d, diz o analista do IBGE Jo\u00e3o Hallak.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-20425 alignleft\" src=\"https:\/\/www.jornaldaconstrucaocivil.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/graficos-desigualdades_cor-ou-raca_trabalho-265x300.png\" alt=\"\" width=\"265\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/construcaocivil.siriusmarketingedesign.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/graficos-desigualdades_cor-ou-raca_trabalho-265x300.png 265w, https:\/\/construcaocivil.siriusmarketingedesign.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/graficos-desigualdades_cor-ou-raca_trabalho.png 751w\" sizes=\"auto, (max-width: 265px) 100vw, 265px\" \/><\/p>\n<p><strong>Desemprego e informalidade s\u00e3o maiores entre pretos e pardos<\/strong><\/p>\n<p>Em 2021, a taxa de subutiliza\u00e7\u00e3o era de 22,5% entre os brancos, enquanto era de 32,0% entre os pretos e 33,4% entre os pardos. \u201cA taxa composta de subutiliza\u00e7\u00e3o considera, al\u00e9m da desocupa\u00e7\u00e3o, a popula\u00e7\u00e3o subocupada por insufici\u00eancia de horas trabalhadas e quem estava na for\u00e7a de trabalho potencial. Entre os brancos, essa taxa era inferior \u00e0s das popula\u00e7\u00f5es preta e parda, e isso n\u00e3o muda conforme o n\u00edvel de instru\u00e7\u00e3o. A dist\u00e2ncia varia um pouco, mas em todos os n\u00edveis de instru\u00e7\u00e3o a popula\u00e7\u00e3o branca tem uma taxa de subutiliza\u00e7\u00e3o inferior \u00e0 da preta ou parda\u201d, analisa o pesquisador.<\/p>\n<p>Enquanto os brancos representavam 43,8% da for\u00e7a de trabalho (soma de ocupados e desocupados), os pretos eram 10,2% e os pardos, 45,0%. Mas os percentuais de pretos e pardos s\u00e3o mais altos entre os desocupados: 12,0% e 52,0%, respectivamente. J\u00e1 os brancos eram 35,2% dos desocupados em 2021.<\/p>\n<p>\u201cEsse indicador j\u00e1 mostra uma desvantagem dessas popula\u00e7\u00f5es na inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho. As propor\u00e7\u00f5es das popula\u00e7\u00f5es preta ou parda entre os desocupados e subutilizados s\u00e3o maiores do que elas representam na for\u00e7a de trabalho\u201d, destaca Hallak.<\/p>\n<p>A informalidade tamb\u00e9m atinge mais pretos e pardos do que brancos. Em 2021, a taxa de informalidade era 40,1%, mas os brancos tinham uma taxa menor, de 32,7%, e os pretos (43,4%) e pardos (47,0%), maior que a m\u00e9dia nacional. Essa diferen\u00e7a acompanha toda a s\u00e9rie do estudo.<\/p>\n<p><strong>Entre as pessoas com n\u00edvel superior, os brancos recebiam 50% a mais que os pretos<\/strong><\/p>\n<p>Quando observado o recorte por n\u00edvel de instru\u00e7\u00e3o, a desigualdade se torna mais percept\u00edvel. No ano passado, o rendimento m\u00e9dio dos ocupados brancos era de R$19,0 por hora, mas para os pretos (R$10,9) e pardos (R$11,3) esse valor era bem menor. O estudo aponta que os rendimentos s\u00e3o maiores entre aqueles que t\u00eam maiores n\u00edveis de instru\u00e7\u00e3o, mas as diferen\u00e7as por cor ou ra\u00e7a permanecem nesse recorte. As pessoas brancas com ensino superior completo ou mais ganharam em m\u00e9dia 50% a mais do que as pretas e cerca de 40% a mais do que as pardas.<\/p>\n<p>Os ocupados pretos ou pardos eram maioria (53,8%) no mercado de trabalho em 2021, mas estavam em somente 29,5% dos cargos gerenciais, enquanto os brancos ocupavam 69,0% deles. Na classe de rendimento mais elevada, somente 14,6% dos ocupados nesses cargos eram pretos ou pardos, enquanto entre os brancos essa propor\u00e7\u00e3o era de 84,4%.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-20426 alignright\" src=\"https:\/\/www.jornaldaconstrucaocivil.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/graficos-desigualdades_cor-ou-raca_pobreza3-300x280.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"280\" srcset=\"https:\/\/construcaocivil.siriusmarketingedesign.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/graficos-desigualdades_cor-ou-raca_pobreza3-300x280.png 300w, https:\/\/construcaocivil.siriusmarketingedesign.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/graficos-desigualdades_cor-ou-raca_pobreza3.png 751w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>Taxas de pobreza de pretos e pardos s\u00e3o cerca de duas vezes maiores que a dos brancos<\/strong><\/p>\n<p>Uma an\u00e1lise das linhas de pobreza propostas pelo Banco Mundial atesta a maior vulnerabilidade das popula\u00e7\u00f5es preta e parda. Em 2021, considerando a linha de U$$5,50 di\u00e1rios (ou R$ 486 mensais\u00a0<em>per capita<\/em>), a taxa de pobreza dos brancos era de 18,6%. J\u00e1 entre pretos o percentual foi de 34,5% e entre os pardos, 38,4%. Na linha da extrema pobreza, (US$1,90 di\u00e1rios ou R$ 168 mensais\u00a0<em>per capita<\/em>), as taxas foram 5,0% para brancos, contra 9,0% dos pretos e 11,4% dos pardos.<\/p>\n<p>\u201cEm 2021, havia 8,4% da popula\u00e7\u00e3o na extrema pobreza. O percentual da popula\u00e7\u00e3o branca estava abaixo dessa m\u00e9dia. J\u00e1 as popula\u00e7\u00f5es preta e parda tinham propor\u00e7\u00f5es acima da m\u00e9dia e dos brancos\u201d, diz o analista Andr\u00e9 Sim\u00f5es.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao rendimento de todas as fontes, que inclui, al\u00e9m do trabalho, aposentadoria e pens\u00e3o, a distin\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m permanecia. Em 2021, o rendimento m\u00e9dio domiciliar per capita da popula\u00e7\u00e3o branca, de R$1.866, era quase o dobro do verificado para a popula\u00e7\u00f5es preta (R$964) e parda (R$945), diferen\u00e7a que se mant\u00e9m desde o in\u00edcio da s\u00e9rie hist\u00f3rica, em 2012. Tamb\u00e9m no ano passado, os rendimentos foram os mais baixos da s\u00e9rie, com maior queda entre os pretos (-8,9%) e pardos (-8,6%). Entre os brancos, a redu\u00e7\u00e3o de rendimento frente ao ano anterior foi de 6,0%.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-20427 alignleft\" src=\"https:\/\/www.jornaldaconstrucaocivil.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/graficos-desigualdades_cor-ou-raca_bens-duraveis-265x300.png\" alt=\"\" width=\"265\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/construcaocivil.siriusmarketingedesign.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/graficos-desigualdades_cor-ou-raca_bens-duraveis-265x300.png 265w, https:\/\/construcaocivil.siriusmarketingedesign.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/graficos-desigualdades_cor-ou-raca_bens-duraveis.png 751w\" sizes=\"auto, (max-width: 265px) 100vw, 265px\" \/><\/p>\n<p><strong>Condi\u00e7\u00f5es de moradia e patrim\u00f4nio s\u00e3o bastante desiguais entre brancos, pretos e pardos<\/strong><\/p>\n<p>Pretos e pardos enfrentam uma situa\u00e7\u00e3o de maior inseguran\u00e7a de posse e de informalidade da moradia pr\u00f3pria. Entre a popula\u00e7\u00e3o residente em domic\u00edlios pr\u00f3prios, 20,8% das pessoas pardas e 19,7% das pessoas pretas residiam em domic\u00edlios sem documenta\u00e7\u00e3o da propriedade, enquanto a propor\u00e7\u00e3o entre as pessoas brancas era praticamente a metade (10,1%).<\/p>\n<p>Uma das fontes utilizadas no estudo, a Pesquisa de Or\u00e7amento Familiar (POF) 2017-2018 indicou o valor hipot\u00e9tico de aluguel dos domic\u00edlios pr\u00f3prios de acordo com avalia\u00e7\u00e3o dos moradores. Entre os domic\u00edlios com pessoas respons\u00e1veis brancas, o valor m\u00e9dio era de R$998, enquanto no de pessoas pardas, o valor era de R$555 e de pessoas pretas, R$571.<\/p>\n<p>\u201cOs domic\u00edlios das popula\u00e7\u00f5es preta e parda t\u00eam menos acesso a saneamento e menor n\u00famero de c\u00f4modos, ent\u00e3o isso reflete em um valor menor desses domic\u00edlios\u201d, explica o analista Bruno Perez.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 posse de bens dur\u00e1veis, as pessoas brancas tinham maior presen\u00e7a de quase todos os itens analisados, com exce\u00e7\u00e3o das motocicletas. Al\u00e9m disso, os brancos tamb\u00e9m tinham, em m\u00e9dia, maior quantidade dos bens em propor\u00e7\u00e3o ao n\u00famero de moradores de sua resid\u00eancia: 10,2% viviam em domic\u00edlio com um ou mais autom\u00f3vel por adulto. Entre os pretos, essa propor\u00e7\u00e3o era de 2,7% e em entre os pardos, 3,5%.<\/p>\n<p><strong>Quase 80% dos propriet\u00e1rios de estabelecimentos com mais de 10 mil ha s\u00e3o brancos<\/strong><\/p>\n<p>Segundo o Censo Agropecu\u00e1rio 2017, nos estabelecimentos agropecu\u00e1rios onde o produtor era propriet\u00e1rio, quase metade (48,0%) deles eram brancos, enquanto 42,7% eram pardos e 7,9% eram pretos. Quando o produtor n\u00e3o era propriet\u00e1rio, brancos eram 34,5% deles, enquanto pardos (52,1%) e pretos (10,5%) tinham representa\u00e7\u00e3o maior.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o entre a cor ou ra\u00e7a dos produtores e o tamanho das propriedades. Propriet\u00e1rios pretos (13,7%) e pardos (58,0%), somados, s\u00e3o ampla maioria entre aqueles que t\u00eam estabelecimento com menos de um hectare. J\u00e1 entre os propriet\u00e1rios de estabelecimentos com mais de 10 mil hectares, os brancos representavam 79,1% ante 17,4% dos pardos e 1,6% dos pretos.<\/p>\n<p>\u201cEntre os menores estabelecimentos, predominam os propriet\u00e1rios pardos e, conforme vamos passando para os estabelecimentos de maior \u00e1rea, vai aumentando a propor\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o branca e diminuindo a popula\u00e7\u00e3o preta e parda. Quando chegamos \u00e0 faixa de estabelecimentos de mais de 10 mil hectares, h\u00e1 uma ampla maioria de produtores de cor ou ra\u00e7a branca\u201d, diz Perez.<\/p>\n<p><strong>61,0% dos matriculados no curso de medicina eram brancos em 2020<\/strong><\/p>\n<p>Os dados sobre educa\u00e7\u00e3o levantados no estudo t\u00eam como uma das fontes a PNAD Covid19, que foi a campo entre maio e novembro de 2020 e investigou o tema no \u00faltimo m\u00eas de coleta. De acordo com a pesquisa, houve condi\u00e7\u00f5es desiguais de oferta e acesso \u00e0s atividades escolares a dist\u00e2ncia em fun\u00e7\u00e3o da pandemia. A falta de estrutura e de tempo dedicado a essas atividades prejudicou especialmente os estudantes de menor renda, sendo, em sua maioria, pretos e pardos, moradores da zona rural e do Norte e Nordeste.<\/p>\n<p>Em novembro de 2020, 6,8% dos estudantes brancos de 6 a 17 anos n\u00e3o tiveram aulas presenciais e n\u00e3o receberam atividades escolares. Esse percentual foi de 13,5% para os pretos e de 15,2% para pardos. Entre aqueles que n\u00e3o tiveram atividades presenciais e fizeram ao menos parte das atividades escolares recebidas em limita\u00e7\u00f5es de carga hor\u00e1ria (menos de cinco dias semanais e de duas horas di\u00e1rias), a propor\u00e7\u00e3o de estudantes brancos tamb\u00e9m foi inferior \u00e0 de pretos ou pardos.<\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o no Enem pode ter sido afetada por essa dificuldade desigual de estudo a dist\u00e2ncia durante a pandemia. A taxa de comparecimento ao exame, isto \u00e9, a propor\u00e7\u00e3o de inscritos que efetivamente compareceram para realizar a prova, mostra que a vantagem dos brancos em rela\u00e7\u00e3o aos demais grupos de cor ou ra\u00e7a se intensificou de 2019 a 2021. Os brancos apresentaram uma queda de apenas 3,1 pontos percentuais na taxa de comparecimento, alcan\u00e7ando taxa de 72,1% em 2021. Por sua vez, pretos e pardos tiveram queda de 9,9 e 9,0 pontos percentuais em suas respectivas taxas de comparecimento entre 2019 e 2021, atingindo 60,2% e 62,9% em 2021, respectivamente. Os ind\u00edgenas foram o grupo que apresentou a menor taxa de comparecimento ao ENEM de 2019 a 2021 (68,0%, 37,1% e 55,3%, respectivamente).<\/p>\n<p>Segundo o Censo da Educa\u00e7\u00e3o Superior de 2020, entre as dez \u00e1reas detalhadas de gradua\u00e7\u00e3o presencial com maior n\u00famero de matr\u00edculas, as maiores propor\u00e7\u00f5es de pretos e pardos estavam nos cursos de pedagogia (11,6% de pretos e 36,2% de pardos) e de enfermagem (8,5% de pretos e 35,2% de pardos). J\u00e1 o curso de medicina tinha apenas 3,2% de matriculados pretos e 21,8% de pardos.<\/p>\n<p>\u201cEsse indicador contribui para explicar por que o rendimento do trabalho de pretos e pardos \u00e9 menor que o dos brancos entre quem tem n\u00edvel superior. Um exemplo \u00e9 a \u00e1rea da sa\u00fade, no curso de medicina, 61% s\u00e3o a popula\u00e7\u00e3o branca e no de enfermagem, 37%. E o profissional m\u00e9dico \u00e9 mais valorizado pelo mercado, tende a receber rendimentos muito mais elevados do que profissional da enfermagem. Ent\u00e3o o tipo de curso superior tamb\u00e9m influencia no rendimento e os mais valorizados pelo mercado em termos de rendimento t\u00eam predomin\u00e2ncia de pessoas brancas\u201d, diz Jo\u00e3o Hallak.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-20428 alignright\" src=\"https:\/\/www.jornaldaconstrucaocivil.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/graficos-desigualdades_cor-ou-raca_homicidio-300x260.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/construcaocivil.siriusmarketingedesign.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/graficos-desigualdades_cor-ou-raca_homicidio-300x260.png 300w, https:\/\/construcaocivil.siriusmarketingedesign.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/graficos-desigualdades_cor-ou-raca_homicidio.png 751w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>Taxa de homic\u00eddio entre pardos \u00e9 o triplo da registrada entre brancos<\/strong><\/p>\n<p>A Pesquisa Nacional de Sa\u00fade (PNS) 2019 revelou que 18,3% das pessoas com 18 anos ou mais sofreram viol\u00eancia f\u00edsica, psicol\u00f3gica ou sexual nos 12 meses que antecederam a entrevista. No mesmo ano, 20,6% das pessoas pretas sofreram alguma dessas formas de viol\u00eancia, ante 19,3% dos pardos e 16,6% dos brancos. A viol\u00eancia atingia mais as mulheres (19,4%), em especial, as mulheres pretas (21,3%).<\/p>\n<p>Segundo o Sistema de Informa\u00e7\u00e3o de Mortalidade (SIM), do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, entre 2019 e 2020, o n\u00famero de homic\u00eddios no pa\u00eds cresceu 9,6%. Em 2020, foram 49,9 mil homic\u00eddios, ou 23,6 mortes por 100 mil habitantes. Entre as pessoas pardas, a taxa foi de 34,1 mortes por 100 mil habitantes, o triplo da observada entre os brancos (11,5 mil mortes por 100 mil habitantes). Entre as pessoas pretas, a taxa foi de 21,9. A diferen\u00e7a entre essas taxas cresce ao longo da s\u00e9rie hist\u00f3rica.<\/p>\n<div class=\"pure-u-1 pure-u-md-3-4 principal\">\n<div class=\"single\">\n<div class=\"texto--single \">\n<p>Os homens tinham uma taxa de 44,5 mortes por 100 mil habitantes ante 3,6 mortes das mulheres, ou seja, 12,5 vezes maior. No recorte por cor ou ra\u00e7a, a maior taxa foi entre os homens pardos (64,3 mortes), seguida pelos homens pretos (41,4 mortes). A taxa dos homens brancos (21,2 mortes) ficou abaixo da m\u00e9dia da popula\u00e7\u00e3o (23,6 mortes).<\/p>\n<p><strong>Brancos s\u00e3o ampla maioria entre vereadores e prefeitos<\/strong><\/p>\n<p>Em 2020, pessoas pretas eram 8,8% da popula\u00e7\u00e3o, 2,0% dos prefeitos e 6,2% dos vereadores. J\u00e1 os pardos eram 47,5% da popula\u00e7\u00e3o, mas apenas 30% dos prefeitos e 38,5% dos vereadores. Quanto \u00e0 popula\u00e7\u00e3o amarela e ind\u00edgena, de acordo com dados da PNAD Cont\u00ednua, somados, os dois grupos representavam cerca de 1% da popula\u00e7\u00e3o, enquanto eram 0,5% dos prefeitos e 0,7% dos vereadores. Embora representassem menos da metade (42,8%) da popula\u00e7\u00e3o, os brancos eram maioria em ambos os cargos eletivos: eram 67,1% dos prefeitos e 53,6% dos vereadores.<\/p>\n<p>Nos munic\u00edpios com at\u00e9 20 mil habitantes, havia a seguinte distribui\u00e7\u00e3o: brancos (67,9%), pardos (29,0%), pretos (2,0%), amarelos (0,5%) e ind\u00edgenas (0,2%). J\u00e1 entre os munic\u00edpios que t\u00eam 500 mil habitantes ou mais, eram 39 prefeitos brancos (81,3%) e nove pardos (18,8%).<\/p>\n<p>Fonte: IBGE Comunica\u00e7\u00e3o<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"pure-u-md-1-4 pure-u-1 lateral lateral--direita\">\n<div class=\"sidebar\">\n<h4 class=\"titulo-sidebar\"><\/h4>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo apresentado pelo IBGE nesta sexta-feira(11), mostra um quadro econ\u00f4mico terr\u00edvel e preocupante em rela\u00e7\u00e3o aos negros brasileiros quanto se compara aos brancos, especialmente quando se fala de emprego, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o , renda e saneamento. \u00c9 quase inexistente mobilidade s\u00f3cio econ\u00f4mica para os afrodescendentes que vivem aqui num pa\u00eds chamado Brasil. 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