{"id":21289,"date":"2023-03-08T00:47:33","date_gmt":"2023-03-08T03:47:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornaldaconstrucaocivil.com.br\/?p=21289"},"modified":"2023-03-08T00:47:33","modified_gmt":"2023-03-08T03:47:33","slug":"numero-de-mulheres-na-construcao-civil-cresce-120-mas-participacao-ainda-e-baixa-no-setor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/construcaocivil.siriusmarketingedesign.com.br\/?p=21289","title":{"rendered":"N\u00famero de mulheres na constru\u00e7\u00e3o civil cresce 120%, mas participa\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 baixa no setor"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #993300;\"><em>Por Carolina Peres<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar da constru\u00e7\u00e3o civil e a profiss\u00e3o de pedreiro serem vistos como coisa de homem, este quadro est\u00e1 mudando. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica), a participa\u00e7\u00e3o feminina neste mercado aumentou 120% entre 2007 e 2018 \u30fc hoje, s\u00e3o cerca de 239,2 mil mulheres empregadas no setor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre os fatores que explicam este crescimento est\u00e3o iniciativas como a ONG Mulher Em Constru\u00e7\u00e3o, criada pela ga\u00facha Bia Kern em 2006. De l\u00e1 para c\u00e1, o projeto j\u00e1 ajudou a capacitar e empregar mais de 6 mil mulheres no setor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEla viu uma falta de cursos na \u00e1rea voltados \u00e0s mulheres e um dia decidiu fazer um de pintura de parede. Como teve muita procura, a Bia decidiu investir nessa necessidade do mercado\u201d, explica a Camila Alhadeff, l\u00edder da Mulher Em Constru\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Paulo em entrevista ao\u00a0<a href=\"https:\/\/www.obramax.com.br\/blog-do-max\/construcao-civil\/pedreiro\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><span style=\"color: #0000ff;\">Censo da Constru\u00e7\u00e3o Civil Obramax 2023<\/span><\/a><span style=\"color: #0000ff;\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quem \u00e9 a mulher pedreira?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O perfil destas profissionais \u00e9 diferente dos homens que atuam na \u00e1rea. Segundo Alhadeff, as mulheres atendidas pela Mulher Em Constru\u00e7\u00e3o t\u00eam em comum o\u00a0 fato de serem pretas, perif\u00e9ricas, chefes de fam\u00edlia e que fazem bicos informais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA maioria delas s\u00e3o v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica, que \u00e9 um problema de sa\u00fade p\u00fablica e mental. Nosso trabalho \u00e9 ajud\u00e1-las a conseguirem coloca\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho porque com dinheiro no bolso voc\u00ea consegue mudar de vida\u201d, conta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, o foco da ONG \u00e9 realizar oficinas e workshops gratuitos para preparar estas mulheres para entrarem na profiss\u00e3o \u30fc geralmente patrocinados por empresas. Inicialmente focada na constru\u00e7\u00e3o civil, a Mulher Em Constru\u00e7\u00e3o expandiu seu horizonte para \u00e1reas correlatas como g\u00e1s, eletricidade e restauro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este trabalho n\u00e3o passa s\u00f3 pela parte t\u00e9cnica do trabalho. \u201cNosso trabalho vai al\u00e9m da capacita\u00e7\u00e3o e aborda todo o lado comportamental e psicol\u00f3gico. Sabemos que o mercado \u00e9 majoritariamente masculino e machista, ent\u00e3o temos toda uma trilha que aborda quest\u00f5es como ass\u00e9dio, racismo e a din\u00e2mica cotidiana\u201d, explica Alhadeff.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Capacita\u00e7\u00e3o \u00e9 o diferencial da mulher na constru\u00e7\u00e3o civil<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como em outras \u00e1reas, existe uma diverg\u00eancia salarial entre homens e mulheres \u30fc que ganham 4,2% menos. Mas h\u00e1 uma exce\u00e7\u00e3o: Joinville (SC), onde o sal\u00e1rio delas \u00e9 10,9% maior. Segundo o Observat\u00f3rio da Ind\u00fastria Catarinense, o motivo \u00e9 a melhor capacita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cGeralmente, a profiss\u00e3o de pedreiro \u00e9 passada de pai para filho, o que faz o homem ter uma capacita\u00e7\u00e3o informal. J\u00e1 a mulher precisa estudar mais para entrar no mercado, o que a torna mais dedicada e preparada\u201d, conta Alhadeff. Segundo ela, outras caracter\u00edsticas destas profissionais elogiadas pelos empregadores s\u00e3o a maior aten\u00e7\u00e3o, capricho e detalhismo \u30fc o que gera menos desperd\u00edcios de materiais e retrabalhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como os cursos da Mulher Em Constru\u00e7\u00e3o s\u00e3o feitos em parceria com empresas, as profissionais geralmente saem formadas e com trabalho garantido. Este pilar do projeto \u00e9, segundo Alhadeff, central para prepar\u00e1-las ao mercado \u30fc cuja atua\u00e7\u00e3o sempre \u00e9 elogiada pelos contratantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo estudo realizado pela Obramax, somente 40% dos profissionais da constru\u00e7\u00e3o trabalham com contrato. Esta quest\u00e3o se traduz, tamb\u00e9m, no modelo de contrata\u00e7\u00e3o das mulheres \u30fc que, segundo Alhadeff, tem grande influ\u00eancia na regionalidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNo Rio Grande do Sul, as mulheres trabalham de maneira informal. Elas costumam se identificar com a profiss\u00e3o e flexibilidade de ter a pr\u00f3pria carteira de clientes, conseguindo conciliar com a maternidade\u201d, explica. J\u00e1 em S\u00e3o Paulo, Alhadeff aponta que a maioria das mulheres se capacita e consegue um emprego CLT \u30fc geralmente nas empresas parceiras da Mulher Em Constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Evolu\u00e7\u00e3o nas pol\u00edticas p\u00fablicas de inclus\u00e3o ainda \u00e9 insuficiente<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Minas Gerais, h\u00e1 uma lei que estabelece a cota de 5% de profissionais mulheres nas obras. Implementada em 2015, a legisla\u00e7\u00e3o \u00e9 elogiada por Alhadeff \u2013 que luta pela implementa\u00e7\u00e3o de normas semelhantes em outros estados como S\u00e3o Paulo e Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, ela aponta que a quest\u00e3o das cotas n\u00e3o \u00e9 suficiente por si s\u00f3 para garantir a inclus\u00e3o das mulheres no mercado. \u201cAinda temos muito a caminhar, pois temos que garantir a capacita\u00e7\u00e3o destas profissionais. J\u00e1 conversei com empresas que querem contratar mulheres, mas possuem dificuldade para encontrar m\u00e3o de obra qualificada\u201d, relembra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest\u00e3o da qualifica\u00e7\u00e3o, inclusive, \u00e9 um problema da \u00e1rea como um todo. Segundo estudo da C\u00e2mara Brasileira da Constru\u00e7\u00e3o Civil, 90% das construtoras enfrentam este desafio no \u00faltimo ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Alhadeff, \u00e9 necess\u00e1rio fortalecer as redes de apoio \u00e0s mulheres com filhos \u2013 o que precisa ser cobrado por profissionais e empresas. \u201cO poder p\u00fablico precisa oferecer creches para a mulher deixar as crian\u00e7as enquanto trabalha. H\u00e1 toda uma cadeia que precisa evoluir para oferecer seguran\u00e7a \u00e0s profissionais para que elas possam trabalhar\u201d, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro obst\u00e1culo, segundo ela, \u00e9 a quest\u00e3o dos pap\u00e9is de g\u00eanero repassados durante a educa\u00e7\u00e3o. \u201cEstes estere\u00f3tipos s\u00e3o uma quest\u00e3o cultural apresentada durante a vida. Tem que ser feito um trabalho nas institui\u00e7\u00f5es de ensino de todos os n\u00edveis para ampliar esse horizonte e termos mais refer\u00eancias\u201d, opina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Inclusive, ela v\u00ea este processo j\u00e1 acontecendo. \u201cTenho tr\u00eas filhos e \u00e0s vezes falo algumas coisas que eles ouvem e dizem \u2018nossa, m\u00e3e, que coisa retr\u00f3grada\u2019. E j\u00e1 vejo colegas da minha filha dizendo que querem ser ju\u00edzes, algo que n\u00e3o acontecia na minha \u00e9poca. Ent\u00e3o estamos progredindo\u201d, encerra.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Carolina Peres Apesar da constru\u00e7\u00e3o civil e a profiss\u00e3o de pedreiro serem vistos como coisa de homem, este quadro est\u00e1 mudando. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica), a participa\u00e7\u00e3o feminina neste mercado aumentou 120% entre 2007 e 2018 \u30fc hoje, s\u00e3o cerca de 239,2 mil mulheres empregadas no setor. 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