{"id":2136,"date":"2016-06-15T17:55:16","date_gmt":"2016-06-15T17:55:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornaldaconstrucaocivil.com.br\/?p=2136"},"modified":"2016-06-15T17:55:16","modified_gmt":"2016-06-15T17:55:16","slug":"no-setor-de-energia-enquanto-ha-reservas-ha-esperanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/construcaocivil.siriusmarketingedesign.com.br\/?p=2136","title":{"rendered":"No setor de energia, enquanto h\u00e1 reservas h\u00e1 esperan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #993300;\"><strong>*\u00a0Alberto Machado Neto<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000000;\">O setor de energia, envolvendo petr\u00f3leo e g\u00e1s, gera\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica e fontes alternativas, como e\u00f3lica, solar e biomassa, representa um importante potencial como indutor do desenvolvimento nacional, pois movimenta extensa cadeia de valor.<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Para desenvolv\u00ea-lo, o Brasil precisa de uma verdadeira pol\u00edtica industrial que estimule e promova o desenvolvimento nacional a partir da demanda gerada pelo setor de energia, ou seja, o uso inteligente do \u201cPoder de Compra do Estado\u201d, que nada tem a ver com protecionismo, mas sim com medidas para dotar o Pa\u00eds de um s\u00f3lido, eficiente, competitivo e sustent\u00e1vel parque industrial.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_2137\" aria-describedby=\"caption-attachment-2137\" style=\"width: 265px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.jornaldaconstrucaocivil.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/DIRETOR-FGV-OK.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2137 size-medium\" src=\"http:\/\/www.jornaldaconstrucaocivil.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/DIRETOR-FGV-OK-265x300.jpg\" alt=\"DIRETOR FGV OK\" width=\"265\" height=\"300\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2137\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #ff0000;\">Alberto Machado Neto, \u00e9 diretor de Petr\u00f3leo, G\u00e1s, Bionergia e Petroqu\u00edmica da ABIMAQ e professor da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas \u2013 FGV.<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"color: #000000;\">O setor de P&amp;G no Brasil est\u00e1 em meio a uma crise sem precedentes: a expressiva redu\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o internacional do barril do petr\u00f3leo, apesar da recupera\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos dias, \u00e9 um fator que reduz o faturamento das empresas e, em consequ\u00eancia, seus investimentos e a crise pol\u00edtica e econ\u00f4mica que se abate sobre o pa\u00eds n\u00e3o possibilita ref\u00fagio em outros segmentos, afinal todos v\u00e3o mal. O cr\u00e9dito est\u00e1 dif\u00edcil e caro, faltam garantias e, mesmo que, por ventura, haja vontade pol\u00edtica para a implanta\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica industrial consistente, h\u00e1 pouca ou nenhuma margem para incentivos credit\u00edcios e fiscais, pois a prioridade do governo atual \u00e9 a recupera\u00e7\u00e3o do equil\u00edbrio fiscal que passa por medidas restritivas ao cr\u00e9dito e aos investimentos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">A sa\u00edda para esse cen\u00e1rio come\u00e7a pela recupera\u00e7\u00e3o da \u201ccredibilidade\u201d, seja de princ\u00edpios, de compet\u00eancia, de objetivos, de ideologia ou mesmo de expectativa de encaminhamento de solu\u00e7\u00f5es vi\u00e1veis e pass\u00edveis de resultados sinalizados no curto prazo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">A retomada do crescimento da ind\u00fastria petrol\u00edfera nacional passa pela solu\u00e7\u00e3o dos problemas internos de sua principal locomotiva, a Petrobras, de modo a viabilizar a retomada de seus planos de investimento, n\u00e3o t\u00e3o vultosos como os anteriores \u00e0 crise, mas minimamente confi\u00e1veis. Urge recuperar a confian\u00e7a de, pelo menos, quatro atores: os acionistas, para aportarem recursos via capital de risco quando necess\u00e1rio; os financiadores, para a disponibilizarem novos cr\u00e9ditos ou para negociarem a d\u00edvida existente; os empregados, para que retomem sua capacidade de gest\u00e3o e, principalmente, de decis\u00e3o e, finalmente, de toda a cadeia de valor formada pelos fornecedores de bens e servi\u00e7os, para que invistam e desenvolvam as tecnologias necess\u00e1rias.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Dentre as raz\u00f5es que sinalizam esperan\u00e7as de um futuro promissor, tr\u00eas t\u00eam que ser levadas em conta: ainda existem muitas \u00e1reas a explorar, nos pr\u00f3ximos 40 anos o petr\u00f3leo ainda deve ser razoavelmente importante na matriz energ\u00e9tica e como mat\u00e9ria prima e o Brasil conta com reservas significativas, entre as maiores do mundo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">O estrago ocasionado pelo esc\u00e2ndalo envolvendo a Petrobras foi importante, mas n\u00e3o foi o \u00fanico culpado pela situa\u00e7\u00e3o atual em que se encontra o Pa\u00eds. A ele devem ser acrescentados, entre outros: no \u00e2mbito interno, o aparelhamento do setor que priorizou indica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas em detrimento da compet\u00eancia t\u00e9cnica, o uso de empresas estatais como instrumento de pol\u00edtica econ\u00f4mica congelando artificialmente os pre\u00e7os no mercado interno, a suspens\u00e3o dos leil\u00f5es de blocos explorat\u00f3rios e a exig\u00eancia de ter a Petrobras como operador \u00fanico nos campos do pr\u00e9-sal e, no \u00e2mbito externo, a queda do pre\u00e7o do petr\u00f3leo e das demais commodities e a desacelera\u00e7\u00e3o do crescimento dos principais pa\u00edses demandantes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Os pre\u00e7os tendem a buscar um equil\u00edbrio no m\u00e9dio prazo. Dificilmente teremos o petr\u00f3leo na faixa dos USD 100 nesta d\u00e9cada, mas tamb\u00e9m dificilmente ficar\u00e1 por muito tempo no patamar atual, tendendo a se aproximar dos USD 70 nos pr\u00f3ximos dois ou tr\u00eas anos e o cen\u00e1rio de pre\u00e7o baixo leva \u00e0 busca pela redu\u00e7\u00e3o de custos, melhorando a atratividade de novos investimentos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Nossas de reservas de \u00f3leo e g\u00e1s nos colocam em posi\u00e7\u00e3o de destaque em termos internacionais. Como o ditado que diz \u201cenquanto h\u00e1 vida, h\u00e1 esperan\u00e7a\u201d, podemos dizer que \u201cenquanto h\u00e1 reservas h\u00e1 esperan\u00e7a\u201d, s\u00f3 que n\u00e3o temos muito tempo para monetiz\u00e1-las, pois n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel garantir por muitas d\u00e9cadas a import\u00e2ncia econ\u00f4mica que o petr\u00f3leo tem atualmente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Dentre os obst\u00e1culos a serem vencidos: os investimentos est\u00e3o praticamente parados e para os poucos investimentos em andamento h\u00e1 ainda o problema da inadimpl\u00eancia e do envolvimento dos principais demandantes em casos de corrup\u00e7\u00e3o que est\u00e3o sendo investigados.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Torna-se necess\u00e1rio que o governo consiga conduzir o setor com uma vis\u00e3o macro envolvendo todas as \u00e1reas, principalmente com o entendimento da enorme capacidade de alavancagem que o setor sob a responsabilidade do MME tem da economia nacional, mediante o aproveitamento de suas demandas de bens e servi\u00e7os em prol do desenvolvimento de nossa ind\u00fastria, de nossa engenharia e de nossa tecnologia ao inv\u00e9s de simplesmente priorizarem a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo ou de outros energ\u00e9ticos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">A solu\u00e7\u00e3o passa ainda por reconquistar a confian\u00e7a, a credibilidade e sinalizar claramente os planos futuros, adotando medidas que tornem toda a cadeia de valor do setor de petr\u00f3leo e g\u00e1s sustent\u00e1vel e competitiva em termos internacionais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Por \u00faltimo, cabe destacar que, at\u00e9 o momento, nunca frutificaram medidas que objetivassem o crescimento homog\u00eaneo de toda a cadeia de valor. As que foram adotadas at\u00e9 o presente momento, como o Repetro, a exig\u00eancia de \u00edndices m\u00ednimos de Conte\u00fado Local, o Fundo de Marinha Mercante, entre outras, ficaram limitadas, apenas, aos dois primeiros elos da referida cadeia. Isso tem que mudar.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\"><strong>Alberto Machado Neto<\/strong>, \u00e9 diretor de Petr\u00f3leo, G\u00e1s, Bionergia e Petroqu\u00edmica da ABIMAQ e professor da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas \u2013 FGV<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>*\u00a0Alberto Machado Neto O setor de energia, envolvendo petr\u00f3leo e g\u00e1s, gera\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica e fontes alternativas, como e\u00f3lica, solar e biomassa, representa um importante potencial como indutor do desenvolvimento nacional, pois movimenta extensa cadeia de valor. 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