{"id":22285,"date":"2023-08-30T00:28:15","date_gmt":"2023-08-30T03:28:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornaldaconstrucaocivil.com.br\/?p=22285"},"modified":"2023-08-30T00:28:15","modified_gmt":"2023-08-30T03:28:15","slug":"agua-toxica-cinco-bacias-brasileiras-contaminadas-pela-mineracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/construcaocivil.siriusmarketingedesign.com.br\/?p=22285","title":{"rendered":"\u00c1gua T\u00f3xica: Cinco Bacias Brasileiras contaminadas pela Minera\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"single-the-excerpt\">\n<div class=\"post-excerpt\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>De Minas Gerais \u00e0 Amaz\u00f4nia, minera\u00e7\u00e3o deixa rastro de \u00e1guas contaminadas, danos \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica e inseguran\u00e7a h\u00eddrica<\/strong><\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"post-info\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Agosto, 2023 &#8211; Desde que os bandeirantes se depararam com as primeiras pepitas de ouro enquanto atravessavam a Serra da Mantiqueira para assassinar ind\u00edgenas e extrair recursos naturais para a col\u00f4nia, teve in\u00edcio uma saga de degrada\u00e7\u00e3o das paisagens brasileiras e explora\u00e7\u00e3o de seus povos, que, h\u00e1 cinco s\u00e9culos, \u00e9 renovada em novas temporadas, em diferentes territ\u00f3rios pelo pa\u00eds. A cada trama relacionada \u00e0 <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2022\/12\/03\/infancia-minada-garimpos-ilegais-de-ouro-no-tapajos-adoecem-criancas-ribeirinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">minera\u00e7\u00e3o<\/a>, seja legal ou ilegal, os personagens s\u00e3o os mesmos e o desenlace ainda \u00e9 muito parecido com o do per\u00edodo colonial: expropria\u00e7\u00e3o de riquezas e viola\u00e7\u00e3o de direitos de comunidades tradicionais por parte de conglomerados internacionais.<\/p>\n<p>Um dos principais rastros deixados pela atividade est\u00e1 relacionado \u00e0 qualidade da \u00e1gua nas \u00e1reas mineradas, por conta de diferentes fatores. A contamina\u00e7\u00e3o dos recursos h\u00eddricos pode ocorrer de tr\u00eas maneiras na minera\u00e7\u00e3o: por meio do alto consumo de \u00e1gua para beneficiamento do min\u00e9rio; por meio do rebaixamento do len\u00e7ol fre\u00e1tico durante a etapa de extra\u00e7\u00e3o do min\u00e9rio, diminuindo o fluxo de \u00e1gua dos rios e impactando tamb\u00e9m a recarga dos aqu\u00edferos; e por meio de rejeitos com concentra\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncias t\u00f3xicas que s\u00e3o levadas at\u00e9 os recursos h\u00eddricos pelo escoamento superficial das \u00e1guas, atrav\u00e9s de rompimentos ou transbordamento de barragens.<\/p>\n<div id=\"single-the-content\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Esse \u00faltimo \u00e9 o caso dos cl\u00e1ssicos epis\u00f3dios das bacias do Rio Doce e do Paraopeba, em Minas Gerais, cen\u00e1rio de rompimentos de barragens que contaminaram centenas de quil\u00f4metros de rios, matas e solos, configurando os maiores crimes ambientais do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A devasta\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia n\u00e3o \u00e9 diferente do que j\u00e1 foi experimentado em Minas. Desde o \u00faltimo s\u00e9culo, a busca pelo ouro assolou diversos territ\u00f3rios da regi\u00e3o, como a Serra Pelada, que ficou eternizada pela destrui\u00e7\u00e3o ambiental e social, registrada pelas lentes do fot\u00f3grafo Sebasti\u00e3o Salgado.<\/p>\n<p>Os mais afetados no caso da Amaz\u00f4nia s\u00e3o os ind\u00edgenas. Al\u00e9m dos povos Yanomami, que recentemente ganharam as capas de jornais pelos cen\u00e1rios de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/05\/12\/bolsonaro-soube-da-tragedia-yanomami-mas-ignorou-parlamentares-reagem-crime-de-lesa-patria\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">completa devasta\u00e7\u00e3o promovido pelo garimpo ilegal em suas terras<\/a>, todos os ind\u00edgenas do povo Munduruku, no Rio Tapaj\u00f3s, que participaram de um estudo da Fiocruz e do WWF Brasil\u00a0est\u00e3o afetados pela presen\u00e7a do merc\u00fario nos rios. Seis a cada dez dos participantes, apresentaram n\u00edveis acima do limite m\u00e1ximo de seguran\u00e7a estabelecido por ag\u00eancias de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o apenas a minera\u00e7\u00e3o ilegal atinge a regi\u00e3o. Em 2018, a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2019\/02\/17\/barcarena-ha-um-ano-mais-uma-tragedia-marcava-a-mineracao-no-brasil\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">contamina\u00e7\u00e3o de rios em Barcarena (PA), por rejeitos t\u00f3xicos da multinacional norueguesa Norsk Hydro<\/a>, afetou 40 mil pessoas e resultou em uma a\u00e7\u00e3o internacional na Corte Europeia de Direitos Humanos.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/01\/27\/marina-denuncia-quatro-em-cada-dez-criancas-yanomami-estao-contaminadas-por-mercurio\">Marina denuncia: quatro em cada dez crian\u00e7as Yanomami est\u00e3o contaminadas por merc\u00fario<\/a><strong>\u00a0::<\/strong><\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-large\"><p>Os casos de contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua est\u00e3o entre os mais graves danos causados para os territ\u00f3rios explorados, tendo em vista que as \u00e1guas dos rios fazem parte de toda a rotina das comunidades ribeirinhas: \u00e9 utilizada para o consumo, preparo de alimentos, pesca e banho. Em muitos casos, os peixes dos rios, sua principal fonte de prote\u00edna,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/06\/01\/garimpo-causa-aumento-da-concentracao-de-mercurio-em-peixes-na-amazonia-mostra-pesquisa\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">tamb\u00e9m s\u00e3o contaminados<\/a>.<\/p><\/blockquote>\n<p>Por isso, a \u00e1gua \u00e9 considerada um indicador da qualidade de vida de uma popula\u00e7\u00e3o, especialmente no caso de territ\u00f3rios rurais. Ela \u00e9 um ativo essencial tamb\u00e9m para o territ\u00f3rio, para o espa\u00e7o de conviv\u00eancia, para as quest\u00f5es socioambientais, culturais e econ\u00f4micas.<\/p>\n<p>Nesse contexto, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) tem atuado em Bacias de todo o pa\u00eds para apoiar comunidades atingidas \u2013 n\u00e3o s\u00f3 pelo rompimento, mas tamb\u00e9m pela opera\u00e7\u00e3o de barragens e de empreendimentos que comprometem direitos b\u00e1sicos da popula\u00e7\u00e3o, como o acesso ininterrupto \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel,\u00a0\u00e0 informa\u00e7\u00e3o, \u00e0 participa\u00e7\u00e3o e a um padr\u00e3o digno de vida.<\/p>\n<h2><strong>CONFIRA A HIST\u00d3RIA DE CINCO\u00a0BACIAS BRASILEIRAS CONTAMINADAS PELA MINERA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/h2>\n<h3>1 \u2013 Rio Maranh\u00e3o \u2013 Congonhas (MG)<\/h3>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-41300\" src=\"https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/47b63516-e2a8-4d0d-b8f2-1a85b1f38af2.jpeg\" sizes=\"(max-width: 780px) 100vw, 780px\" srcset=\"https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/47b63516-e2a8-4d0d-b8f2-1a85b1f38af2.jpeg 780w, https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/47b63516-e2a8-4d0d-b8f2-1a85b1f38af2-300x188.jpeg 300w, https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/47b63516-e2a8-4d0d-b8f2-1a85b1f38af2-768x482.jpeg 768w, https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/47b63516-e2a8-4d0d-b8f2-1a85b1f38af2-205x129.jpeg 205w\" alt=\"\" \/><figcaption>O problema de abastecimento e contamina\u00e7\u00e3o das minas e nascentes \u00e9 recorrente no munic\u00edpio de Congonhas onde atuam em 4 mineradoras. Foto: Rede Brasil Atual<\/figcaption><\/figure>\n<p>No m\u00eas de mar\u00e7o de 2023, moradores do hist\u00f3rico munic\u00edpio de Congonhas (MG) receberam \u00e1gua com lama diretamente nas torneiras da sua casa por conta de uma opera\u00e7\u00e3o das mineradoras Companhia Sider\u00fargica Nacional (CSN) e Ferro+. O tr\u00e1fego de caminh\u00f5es de min\u00e9rio das empresas causou dois rompimentos de uma adutora de \u00e1gua que abastece o bairro. Ao todo, os moradores ficaram 20 dias sem acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel.\u202fSegundo relatos, ap\u00f3s o ocorrido, a CSN disponibilizou apenas 300 gal\u00f5es de \u00e1gua para abastecer o bairro onde moram cerca de 3 mil pessoas.<\/p>\n<p>O bairro Pires fica na entrada do munic\u00edpio e sofre h\u00e1 mais de dez anos com problemas de abastecimento e contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua desde que a CSN causou o assoreamento de duas nascentes que abastecem a regi\u00e3o: Boi na Brasa e Jo\u00e3o Batista, que est\u00e3o inseridas na sub-bacia do Rio Maranh\u00e3o, tribut\u00e1rio da margem direita do Rio Paraopeba. O assoreamento ocorreu durante as obras de constru\u00e7\u00e3o de uma estrada para o tr\u00e2nsito de caminh\u00f5es pesados da companhia entre a Mina do Engenho e a BR 040.<\/p>\n<p><strong>::\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.brasildefatomg.com.br\/2022\/06\/03\/ampliacao-das-atividades-da-csn-em-congonhas-mg-pode-ameacar-seguranca-hidrica-da-populacao\">Amplia\u00e7\u00e3o das atividades da CSN em Congonhas (MG) pode amea\u00e7ar seguran\u00e7a h\u00eddrica da popula\u00e7\u00e3o\u00a0<\/a><strong>::<\/strong><\/p>\n<p>O ambientalista Sandoval de Souza explica que os bairros Pires e Barnab\u00e9 s\u00e3o abastecidos com \u00e1gua bruta, ou seja, \u00e1gua captada no manancial, no seu estado bruto, sem receber qualquer processo de tratamento. Por isso, na \u00e9poca do assoreamento, a popula\u00e7\u00e3o ficou 120 dias com \u00e1gua barrenta e inadequada para beber saindo das torneiras. Foram tr\u00eas anos sem acesso \u00e0 \u00e1gua limpa. Durante esse tempo, o Minist\u00e9rio P\u00fablico exigia que a CSN distribu\u00edsse gal\u00f5es de \u00e1gua para os moradores.<\/p>\n<p>Mesmo depois de regularizada a situa\u00e7\u00e3o, s\u00e3o recorrentes os casos de contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua por conta dos deslizamentos de terras nas nascentes que abastecem a regi\u00e3o. Segundo Sandoval, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel dizer que tipo de contaminantes a terra que suja a \u00e1gua pode ter. \u201cPodem ser contaminantes org\u00e2nicos, qu\u00edmicos, coliformes fecais, mas n\u00e3o sabemos, porque a COPASA \u2013 Companhia de Saneamento de Minas Gerais n\u00e3o divulgou an\u00e1lises dessas \u00e1guas ap\u00f3s casos de deslizamentos e turbidez\u201d, explica o ativista, que atualmente \u00e9 membro do Conselho de Desenvolvimento e Planejamento Municipal (Codeplan).<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201cAs nascentes que abastecem essas \u00e1reas est\u00e3o dentro da propriedade da Vale, onde eles realizam sondagens. A lama que sai da sondagem vai direto para a nascente. Como n\u00e3o h\u00e1 tratamento, chega barrenta para n\u00f3s\u201d, diz Geraldo Tarc\u00edsio Magalh\u00e3es, morador de Barnab\u00e9, bairro afetado pela minera\u00e7\u00e3o, no caso da Vale.<\/p><\/blockquote>\n<p>Al\u00e9m da contamina\u00e7\u00e3o, Sandoval explica que existe tamb\u00e9m uma disputa pela \u00e1gua no munic\u00edpio. \u201cA CSN recebeu, em 2021, uma amplia\u00e7\u00e3o de sua outorga de \u00e1gua subterr\u00e2nea (sem contar a de capta\u00e7\u00e3o superficial) de 3.130 m\u00b3\/h no pico da explora\u00e7\u00e3o, 24 horas por dia. O n\u00famero corresponde a aproximadamente 6,5 vezes a \u00e1gua utilizada pela popula\u00e7\u00e3o de Congonhas\u201d, afirma o ativista.<\/p>\n<p>O aumento de extra\u00e7\u00e3o de \u00e1gua do len\u00e7ol tende a causar redu\u00e7\u00e3o da \u00e1gua superficial captada pela Copasa. Por isso, Sandoval conta que, eventualmente, a CSN precisa bombear \u00e1gua pra Copasa, para n\u00e3o comprometer o abastecimento da cidade. Ou seja, hoje, o munic\u00edpio depende de uma cess\u00e3o de \u00e1gua da empresa. Por conta disso, o Minist\u00e9rio P\u00fablico de Minas Gerais (MPMF) tem um inqu\u00e9rito aguardando per\u00edcia sobre a opera\u00e7\u00e3o de bombeamento de \u00e1gua de len\u00e7ol fre\u00e1tico que oferece riscos para o abastecimento e a sa\u00fade p\u00fablica no munic\u00edpio.<\/p>\n<p>A deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT-MG) tamb\u00e9m enviou um of\u00edcio parlamentar de requerimento de informa\u00e7\u00f5es \u00e0 Copasa solicitando a produ\u00e7\u00e3o de estudos \u201chidrogeol\u00f3gicos\u201d e ambientais sobre a interfer\u00eancia de mineradoras (como a CSN, Gerdau e Vale) na quantidade e qualidade da \u00e1gua dos mananciais de Congonhas.<\/p>\n<p>Sandoval, que atuou por 30 anos em usinas de beneficiamento de min\u00e9rio, ressalta que criar procedimentos seguros para a atividade \u00e9 essencial, tendo em vista o aumento da escala da minera\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o. \u201cOs planos de expans\u00e3o s\u00e3o absurdos. Querem triplicar a \u00e1rea de explora\u00e7\u00e3o\u201d, conclui.<\/p>\n<h3>2 \u2013 Bacia do Rio Doce \u2013 Minas Gerais e Esp\u00edrito Santo<\/h3>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-12707\" src=\"https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/WhatsApp-Image-2020-05-30-at-14.57.12-1024x683.jpeg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/WhatsApp-Image-2020-05-30-at-14.57.12-1024x683.jpeg 1024w, https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/WhatsApp-Image-2020-05-30-at-14.57.12-300x200.jpeg 300w, https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/WhatsApp-Image-2020-05-30-at-14.57.12-768x512.jpeg 768w, https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/WhatsApp-Image-2020-05-30-at-14.57.12-272x182.jpeg 272w, https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/WhatsApp-Image-2020-05-30-at-14.57.12.jpeg 1280w\" alt=\"\" \/><figcaption>Estudos no Rio Doce indicam n\u00edveis acima do permitido de chumbo no leite de vaca; ars\u00eanio, cromo e merc\u00fario no solo; e ars\u00eanio, chumbo, ferro, mangan\u00eas, merc\u00fario e n\u00edquel na \u00e1gua. Foto: Gabriel Lordello<\/figcaption><\/figure>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-default\"><p>Desde 2015, quando o rompimento da Barragem do Fund\u00e3o, no distrito de Bento Rodrigues, a 35 quil\u00f4metros do centro de Mariana (MG), causou o vazamento de milh\u00f5es de toneladas de lama t\u00f3xica no Rio Doce, os moradores de pelo menos 40 munic\u00edpios de Minas Gerais sofrem com efeitos da contamina\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio. No epis\u00f3dio, os rejeitos da mineradora se espalharam por mais de 650 quil\u00f4metros, desde sua fonte at\u00e9 o oceano Atl\u00e2ntico. A responsabilidade \u00e9 diretamente atribu\u00edda \u00e0 mineradora Samarco, controlada pela Vale e BHP Billiton, e \u00e0s falhas de regula\u00e7\u00e3o do governo brasileiro.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>::\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.brasildefatomg.com.br\/2022\/11\/04\/com-a-renova-atingidos-pela-lama-no-rio-doce-chegam-ao-setimo-ano-sem-direitos-garantidos\">Com a Renova, atingidos pela lama no Rio Doce chegam ao s\u00e9timo ano sem direitos garantidos<\/a><strong>\u00a0::<\/strong><\/p>\n<p>Hoje, a calamidade \u00e9 considerada o pior desastre ambiental do Brasil. Apesar da empresa Vale ter apresentado um estudo que nega a presen\u00e7a de metais pesados na Bacia, um grupo de pesquisa da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) publicou, em 2019, uma an\u00e1lise feita no solo, \u00e1gua e leite de vaca nos munic\u00edpios atingidos pela lama do rompimento da barragem que mostra resultados extremamente preocupantes.<\/p>\n<p>O resultado do Laborat\u00f3rio de Educa\u00e7\u00e3o Ambiental, Arquitetura, Urbanismo, Engenharias e Pesquisa para a Sustentabilidade (LEA-AUEPAS) mostra n\u00edveis acima do permitido de chumbo no leite de vaca; ars\u00eanio, cromo e merc\u00fario no solo; e ars\u00eanio, chumbo, ferro, mangan\u00eas, merc\u00fario e n\u00edquel na \u00e1gua. O ars\u00eanio, por exemplo, est\u00e1 32\u202fmil vezes\u00a0 mais alto na \u00e1gua e dezessete vezes mais alto no solo do que o permitido.<\/p>\n<p>Esse quadro pode explicar uma realidade de doen\u00e7as relatadas por moradores em toda a Bacia. A pesquisa foi encomendada pelo MAB, juntamente com as organiza\u00e7\u00f5es C\u00e1ritas Brasileira Regional Minas Gerais e Associa\u00e7\u00e3o Estadual de Defesa Ambiental e Social (AEDAS).<\/p>\n<h4><strong>Leia mais:\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.brasildefatomg.com.br\/2019\/12\/06\/contaminacao-na-bacia-do-rio-doce-e-perigo-urgente-para-saude-publica-diz-estudo\">Contamina\u00e7\u00e3o na Bacia do Rio Doce \u00e9 \u2018perigo urgente para sa\u00fade p\u00fablica\u2019, diz estudo<\/a><\/h4>\n<p>O estudo classificou as localidades como \u201cLocal de Perigo Categoria A: Perigo urgente para a Sa\u00fade P\u00fablica\u201d. Isso significa, de acordo com o relat\u00f3rio, \u201cque existe um perigo para a sa\u00fade das popula\u00e7\u00f5es expostas aos contaminantes definidos atrav\u00e9s da ingest\u00e3o, inala\u00e7\u00e3o ou absor\u00e7\u00e3o d\u00e9rmica das part\u00edculas de solo superficial e\/ou da poeira domiciliar contaminadas\u201d.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-large\"><p>Um estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com o Greenpeace, revelou tamb\u00e9m que, al\u00e9m do Rio Doce, as \u00e1guas subterr\u00e2neas da regi\u00e3o est\u00e3o contaminadas com altos n\u00edveis de metais pesados. Os pequenos agricultores, que, ap\u00f3s o rompimento, recorreram a po\u00e7os artesianos para irrigar suas planta\u00e7\u00f5es e ter \u00e1gua para beber, foram os mais prejudicados nesse caso.<\/p><\/blockquote>\n<h3>3 \u2013 Bacia do Rio Paraopeba \u2013 Brumadinho e dezenas de munic\u00edpios de Minas Gerais<\/h3>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-39428\" src=\"https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/JOKA3683-1-1024x683.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/JOKA3683-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/JOKA3683-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/JOKA3683-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/JOKA3683-1-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/JOKA3683-1-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/JOKA3683-1-205x137.jpg 205w, https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/JOKA3683-1-272x182.jpg 272w\" alt=\"\" \/><figcaption>Contamina\u00e7\u00e3o no Rio Paraopeba chegou a mais de 300 km. Durante os per\u00edodos de chuva de cada ano, enchentes levam de volta a lama contaminada para a casa de ribeirinhos. Foto: Joka Madruga \/ MAB<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em julho de 2021, a Fiocruz e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) divulgaram uma das etapas de um estudo que avalia as condi\u00e7\u00f5es de vida, sa\u00fade e trabalho da popula\u00e7\u00e3o de Brumadinho ap\u00f3s o rompimento da barragem da mineradora Vale no C\u00f3rrego do Feij\u00e3o, ocorrido em janeiro de 2019. A pesquisa apontou a exposi\u00e7\u00e3o dos moradores a metais pesados como ars\u00eanio, encontrado\u00a0na urina, e mangan\u00eas e chumbo, encontrados\u00a0no sangue, em adultos,\u00a0crian\u00e7as e adolescentes que vivem na cidade.<\/p>\n<p><strong>::\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/01\/25\/mais-da-metade-de-criancas-de-comunidade-de-brumadinho-tem-excesso-de-metal-pesado-no-corpo\">Mais da metade de crian\u00e7as de comunidade de Brumadinho tem excesso de metal pesado no corpo<\/a><strong>\u00a0::<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com o pesquisador da Fiocruz\u00a0S\u00e9rgio Peixoto, de maneira geral, os sintomas da alta concentra\u00e7\u00e3o de metais t\u00eam impacto nas fun\u00e7\u00f5es hep\u00e1tica, renal e\u00a0tamb\u00e9m\u00a0no sistema nervoso central, podendo afetar quest\u00f5es\u00a0neurol\u00f3gicas. Por isso, a recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 que haja um acompanhamento cl\u00ednico regular dos moradores.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>No quesito sa\u00fade mental, o estudo apontou que a taxa de incid\u00eancia de depress\u00e3o em adultos \u00e9 o dobro da m\u00e9dia da popula\u00e7\u00e3o brasileira: 22,5%\u202frelataram diagn\u00f3stico de depress\u00e3o, enquanto a m\u00e9dia nacional \u00e9\u202f10,2%,\u202fde acordo com a Pesquisa Nacional de Sa\u00fade (PNS) de 2019.<\/p><\/blockquote>\n<p>Hoje, por orienta\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria Vale, quem mora a at\u00e9 100 metros de dist\u00e2ncia do Rio Paraopeba n\u00e3o pode comer nenhum alimento cultivado no solo, nem entrar em contato com a \u00e1gua do rio e, por isso, precisa receber \u00e1gua da empresa. Pesquisadores, por\u00e9m, alegam que a contamina\u00e7\u00e3o ultrapassa os 100 metros da margem do Paraopeba.<\/p>\n<p><strong>::\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/04\/24\/ha-quatro-anos-brumadinho-convive-com-falta-e-contaminacao-da-agua-pela-vale\">H\u00e1 quatro anos, Brumadinho convive com falta e contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua pela Vale<\/a><strong>\u00a0::<\/strong><\/p>\n<p>Jos\u00e9* e L\u00facia* vivem a menos de 500 metros do Rio Paraopeba, mas desde 2019, precisam se deslocar para tentar conseguir \u00e1gua para sobreviver. \u201cSe eu tiver \u00e1gua para beber, para cozinhar, para regar minhas plantas, eu estou satisfeito\u201d, afirma Jos\u00e9, na sua pequena comunidade chamada Fazendinhas Ba\u00fa, localizada em Pomp\u00e9u. Segundo ele, mais de uma vez, ele j\u00e1 precisou implorar por \u00e1gua para os motoristas das empresas terceirizadas que a Vale contrata para distribuir gal\u00f5es nas redondezas.<\/p>\n<p>A empresa afirma que s\u00f3 t\u00eam direito de receber \u00e1gua para beber e para dessedenta\u00e7\u00e3o animal \u2013 \u00e1gua para mitigar a sede dos animais criados \u2013 aquelas pessoas abastecidas por po\u00e7os comunit\u00e1rios localizados a menos de 100 metros da margem do rio.<\/p>\n<h3>4 \u2013\u00a0Bacia do Rio Troma\u00ed \u2013 Godofredo Viana (MA)<\/h3>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-20378\" src=\"https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/IMG_6575-1-1024x683.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/IMG_6575-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/IMG_6575-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/IMG_6575-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/IMG_6575-1-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/IMG_6575-1-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/IMG_6575-1-272x182.jpg 272w\" alt=\"\" \/><figcaption>Lama toxica da mineradora Equinox Gold que contaminou manancial de \u00e1gua que abastecia distrito de Aurizona. Foto: Coletivo de Comunica\u00e7\u00e3o do MAB<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em Aurizona, distrito do munic\u00edpio de Godofredo Viana, rodeado por manguezais, floresta e fontes de \u00e1gua antes pot\u00e1veis na Amaz\u00f4nia Maranhense, quatro mil pessoas vivem sob o drama da contamina\u00e7\u00e3o dos seus rios e solos h\u00e1 mais de dois anos por conta de uma trag\u00e9dia ambiental que passou desapercebida pela grande m\u00eddia. No dia 25 de mar\u00e7o de 2021,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2021\/03\/25\/rompe-barragem-na-maior-reserva-de-ouro-do-pais-e-fecha-entrada-de-cidade-no-maranhao\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">uma barragem da mineradora canadense Equinox Gold se rompeu<\/a>, provocando terror na comunidade que ficou isolada durante tr\u00eas dias.<\/p>\n<p>No momento do rompimento, a lama atingiu o reservat\u00f3rio e a subesta\u00e7\u00e3o de tratamento de \u00e1gua da localidade, que foi interditada, interrompendo o fornecimento de \u00e1gua da popula\u00e7\u00e3o por dias. Mesmo quando a \u00e1gua voltou a sair nas torneiras das casas, ela sa\u00eda barrenta e mal-cheirosa nos meses seguintes.<\/p>\n<p>Ao todo, o volume de detritos degradou cerca de 30 mil metros quadrados de vegeta\u00e7\u00e3o nativa, inclusive uma \u00e1rea da reserva ambiental Arapiranga Troma\u00ed, e atingiu o\u00a0rio\u00a0Troma\u00ed e\u00a0as lagoas de Juiz de Fora e Lago do Cachimbo, que tamb\u00e9m serviam para o abastecimento de \u00e1gua pot\u00e1vel, recrea\u00e7\u00e3o e pesca pela comunidade.<\/p>\n<p><strong>::\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2022\/05\/18\/mais-de-um-ano-apos-rompimento-de-barragem-no-maranhao-familias-seguem-em-condicoes-precarias\">Mais de um ano ap\u00f3s rompimento de barragem no Maranh\u00e3o, fam\u00edlias seguem em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias<\/a><strong>\u00a0::<\/strong><\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-large\"><p>Fam\u00edlias perderam seus m\u00f3veis, porque a lama entrou em suas casas enquanto dormiam e, tamb\u00e9m, tiveram seu sustento comprometido, quando o rejeito da minera\u00e7\u00e3o atingiu n\u00e3o s\u00f3 os rios onde pescavam diferentes esp\u00e9cies de peixes, mas tamb\u00e9m o mar, onde se capturava caranguejo. Pescadores perderam ainda seus barcos ou motores.<\/p><\/blockquote>\n<p>O rompimento \u00e9 s\u00f3 um dos impactos causados pelo imenso complexo miner\u00e1rio de explora\u00e7\u00e3o de ouro comandado pela empresa canadense. Um de seus propriet\u00e1rios, o empres\u00e1rio Ross Beat, \u00e9 conhecido no Canad\u00e1 por seguir exemplarmente padr\u00f5es ambientais. No Maranh\u00e3o, por\u00e9m, a empresa \u00e9 famosa pelos rastros de destrui\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia que deixa onde atua, incluindo a presen\u00e7a constante de uma poeira t\u00f3xica na regi\u00e3o que causa diversas doen\u00e7as entre os moradores, rachaduras das casas por conta das explos\u00f5es realizadas nas minas do entorno e outras viola\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cAntes n\u00f3s t\u00ednhamos nossa terra. Mor\u00e1vamos no alto, numa \u00e1rea maior. Eles chegaram e roubaram. Depois foi a nossa moradia: casas se rachando. Depois o nosso ouro, o nosso emprego, mas t\u00ednhamos \u00e1gua em abund\u00e2ncia em Aurizona. \u00c1gua aqui sempre teve, \u00e1gua boa, de qualidade. Agora at\u00e9 a nossa \u00e1gua eles tiraram, a nossa estrada, agora s\u00f3 falta nos tirarem daqui\u201d, afirma Jonias Pinheiro, um dos moradores de Aurizona atingido pelo rompimento.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-41303\" src=\"https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/tratada-1024x683.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/tratada-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/tratada-300x200.jpg 300w, https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/tratada-768x512.jpg 768w, https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/tratada-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/tratada-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/tratada-205x137.jpg 205w, https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/tratada-272x182.jpg 272w\" alt=\"\" \/><figcaption>Professor Ulisses Nascimento durante coleta de \u00e1gua em Aurizona para estudo realizado por coletivo de universidades p\u00fablicas. Foto: Sabino Rocha \/ MAB<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em mar\u00e7o de 2022, um ano ap\u00f3s o epis\u00f3dio\u00a0que passou despercebido na grande m\u00eddia, um estudo apontou a contamina\u00e7\u00e3o do solo e da \u00e1gua superficial e subterr\u00e2nea do distrito com metais com potencial t\u00f3xico como merc\u00fario, ars\u00eanio, n\u00edquel e chumbo 100 mil vezes acima do m\u00e1ximo permitido. As an\u00e1lises foram encomendadas pelo MAB para um coletivo de cientistas que \u00e9 coordenado pelo Laborat\u00f3rio de Educa\u00e7\u00e3o Ambiental e Pesquisa da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e re\u00fane ainda pesquisadores da Universidade Federal do Maranh\u00e3o (UFMA), da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), da Universidade de Campinas (Unicamp) e da\u00a0Universidade Estadual da Regi\u00e3o Tocantina do Maranh\u00e3o\u00a0(Uemasul).<\/p>\n<p>A proposta do estudo \u00e9 subsidiar a repara\u00e7\u00e3o dos direitos b\u00e1sicos dos atingidos do distrito, pois o fornecimento de \u00e1gua pot\u00e1vel n\u00e3o foi restabelecido de forma permanente nas torneiras dos mais de quatro mil moradores de Aurizona at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>\u201cOs metais encontrados no distrito s\u00e3o extremamente t\u00f3xicos e podem causar v\u00e1rios problemas imediatos \u00e0 sa\u00fade, como infec\u00e7\u00f5es cut\u00e2neas, coceiras e algumas outras doen\u00e7as de pele (j\u00e1 relatadas pelos moradores), al\u00e9m de problemas neurol\u00f3gicos e respirat\u00f3rios com a exposi\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica. Ent\u00e3o, existe uma gama grande de enfermidades provocadas pelo contato com essa \u00e1gua. E a concentra\u00e7\u00e3o desses metais est\u00e1 muito mais alta que o n\u00edvel permitido. \u00c9 pouco prov\u00e1vel a elimina\u00e7\u00e3o deste contaminantes por tratamento de \u00e1gua convencional\u201d, ressalta o professor Ulisses Nascimento, um dos pesquisadores respons\u00e1veis pelo estudo.<\/p>\n<p>Diante do caso, o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) ajuizou uma a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica contra a mineradora e contra o governo do Maranh\u00e3o por conta da falha de fiscaliza\u00e7\u00e3o. A a\u00e7\u00e3o requer que a Mineradora Aurizona seja obrigada a reparar os danos ambientais causados, realize obras para evitar novos desastres e a pague multa e indeniza\u00e7\u00f5es \u00e0s fam\u00edlias atingidas. Al\u00e9m disso, o MPF reivindica que o Estado realize fiscaliza\u00e7\u00f5es peri\u00f3dicas para verificar a seguran\u00e7a das estruturas.<\/p>\n<h3>5 \u2013\u00a0Bacia do Rio Par\u00e1 \u2013 Barcarena (PA)<\/h3>\n<p>Em 2018, a contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua em Barcarena, no Par\u00e1, afetou 40 mil pessoas depois do despejo de rejeitos t\u00f3xicos\u202fda refinaria da Norsk Hydro, no rio Murucupi. \u00c0 \u00e9poca, a for\u00e7a das chuvas fez com que comunidades no entorno da mineradora fossem\u202finundadas por \u00e1guas avermelhadas.<\/p>\n<p><strong>::\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/02\/17\/zona-de-sacrificio-dois-anos-apos-crime-barcarena-sofre-com-rejeitos-da-mineracao\">\u2018Zona de sacrif\u00edcio\u2019: dois anos ap\u00f3s crime, Barcarena sofre com rejeitos da minera\u00e7\u00e3o<\/a><strong>\u00a0::<\/strong><\/p>\n<p>Mesmo ap\u00f3s a empresa negar o rompimento, acionado pelos Minist\u00e9rios P\u00fablicos Federal e Estadual,\u202fo Instituto Evandro Chagas (IEC) coletou amostras\u202fde \u00e1gua para testes e comprovou\u202fdias depois que as \u00e1guas haviam sido contaminadas pelo vazamento de barragens da Hydro, que atua no beneficiamento de alum\u00ednio. A per\u00edcia constatou\u202fainda a exist\u00eancia de um duto clandestino que conduzia res\u00edduos poluentes para cursos d\u2019\u00e1gua na regi\u00e3o.\u202f\u202fA subst\u00e2ncia que transbordou de um dos canais de conten\u00e7\u00e3o da mineradora tamb\u00e9m contaminou matas, igarap\u00e9s e as nascentes do rio.<\/p>\n<p>Em 2021, foi ajuizada na Corte Europeia uma a\u00e7\u00e3o internacional contra a Norsk Hydro pedindo reparos \u00e0s fam\u00edlias afetadas pela produ\u00e7\u00e3o de alum\u00ednio no Par\u00e1. Uma\u202fComiss\u00e3o Parlamentar de Inqu\u00e9rito (CPI), criada na \u00e9poca na Assembleia Legislativa do Par\u00e1 (Alepa), comprovou n\u00e3o s\u00f3 o vazamento, como a origem dele: um estresse da planta da empresa que n\u00e3o suportou o aumento da escala de produ\u00e7\u00e3o e causou rompimento das estruturas e o despejo de material n\u00e3o tratado na bacia do rio Par\u00e1.<\/p>\n<p><em>* Camila Fr\u00f3is \u00e9 jornalista, atua cobrindo pautas sobre meio ambiente, cultura e direitos humanos e \u00e9 integrante da equipe de comunica\u00e7\u00e3o nacional do MAB.<\/em><\/p>\n<p><em>* Dalila Calisto \u00e9 mestra em Geografia, especialista em energia e sociedade, pedagoga e militante da coordena\u00e7\u00e3o nacional do MAB<\/em><\/p>\n<p><em>* Fernanda de Oliveira Portes \u00e9 graduada em Historia, especialista em energia e sociedade e militante da coordena\u00e7\u00e3o nacional do MAB.<\/em><\/p>\n<p><strong>*Artigo publicado originalmente no site do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/06\/24\/agua-toxica-cinco-bacias-brasileiras-contaminadas-pela-mineracao\">Brasil de Fato<\/a><\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"post-content--tags\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De Minas Gerais \u00e0 Amaz\u00f4nia, minera\u00e7\u00e3o deixa rastro de \u00e1guas contaminadas, danos \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica e inseguran\u00e7a h\u00eddrica Agosto, 2023 &#8211; Desde que os bandeirantes se depararam com as primeiras pepitas de ouro enquanto atravessavam a Serra da Mantiqueira para assassinar ind\u00edgenas e extrair recursos naturais para a col\u00f4nia, teve in\u00edcio uma saga de degrada\u00e7\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":22286,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[37],"tags":[25686,25685,25684,25687,5092,22768,7672],"class_list":["post-22285","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sustentabilidade","tag-bacia-do-rio-tromai-ma","tag-barcarena-pa","tag-contaminacao-dos-rios","tag-equinox-gold","tag-fiocruz","tag-mab","tag-minas-gerais"],"blocksy_meta":[],"spectra_blocks_featured_image_url":{"thumbnail":{"url":"https:\/\/construcaocivil.siriusmarketingedesign.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/IMG_0232-1-1024x683-1-150x150.jpg","width":150,"height":150},"medium":{"url":"https:\/\/construcaocivil.siriusmarketingedesign.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/IMG_0232-1-1024x683-1-300x200.jpg","width":300,"height":200},"medium_large":{"url":"https:\/\/construcaocivil.siriusmarketingedesign.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/IMG_0232-1-1024x683-1-768x512.jpg","width":768,"height":512},"large":{"url":"https:\/\/construcaocivil.siriusmarketingedesign.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/IMG_0232-1-1024x683-1.jpg","width":1024,"height":683},"full":{"url":"https:\/\/construcaocivil.siriusmarketingedesign.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/IMG_0232-1-1024x683-1.jpg","width":1024,"height":683}},"spectra_blocks_author_info":{"display_name":"Jornal da Constru\u00e7\u00e3o Civil","avatar_url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/973c9774fd44ddaceb026973c4962faa70fc512bc4c9da68e8ebb40fecee6540?s=96&d=mm&r=g","author_link":"https:\/\/construcaocivil.siriusmarketingedesign.com.br\/?author=1","description":"Desde de 2013, levando muitas informa\u00e7\u00f5es, lan\u00e7amentos e produtos de qualidade para toda cadeia produtiva da constru\u00e7\u00e3o. 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