{"id":22631,"date":"2023-11-03T12:54:58","date_gmt":"2023-11-03T15:54:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornaldaconstrucaocivil.com.br\/?p=22631"},"modified":"2023-11-03T12:54:58","modified_gmt":"2023-11-03T15:54:58","slug":"quilombolas-sao-as-principais-vitimas-em-conflito-por-terra-no-estado-do-maranhao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/construcaocivil.siriusmarketingedesign.com.br\/?p=22631","title":{"rendered":"Quilombolas s\u00e3o as principais v\u00edtimas em conflito por terra no estado do Maranh\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div>\n<p style=\"text-align: center;\" role=\"heading\"><span lang=\"PT-BR\">Maranh\u00e3o \u00e9\u00a0o 3\u00b0estado do pa\u00eds com maior n\u00famero de conflitos agr\u00e1rios<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p><span lang=\"PT-BR\">Vivemos o embate da viol\u00eancia e forte racismo contra o povo quilombola. De forma associada a isso, o peso das disputas territoriais promovidas por fazendeiros e outros atores com poder econ\u00f4mico respons\u00e1veis por diferentes ataques \u00e0s comunidades.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p><span lang=\"PT-BR\">Na \u00faltima sexta-feira (27), o\u00a0l\u00edder\u00a0de uma comunidade quilombola, no interior do Maranh\u00e3o, foi assassinado a tiros. Lideran\u00e7a\u00a0da comunidade\u00a0Jaibara\u00a0dos Rodrigues, na zona rural de Itapecuru-Mirim, a 108 km de S\u00e3o Lu\u00eds, Jos\u00e9 Alberto Moreno Mendes, \u00e9 o d\u00e9cimo quilombola assassinado no Maranh\u00e3o entre os anos de 2020-2023.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p><span lang=\"PT-BR\">Epis\u00f3dios como esse devem ser severamente investigados, os respons\u00e1veis identificados e responsabilizados.\u00a0Contudo, sem que haja atua\u00e7\u00e3o coordenada de enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia, esses crimes t\u00eam ocorrido em \u00edndices cada vez mais alarmantes. O Maranh\u00e3o \u00e9 o terceiro estado que mais registra conflitos agr\u00e1rios no Brasil. As viola\u00e7\u00f5es v\u00e3o desde invas\u00e3o e grilagem de terras a racismo religioso e assassinatos. Segundo\u00a0o\u00a0relat\u00f3rio\u00a0Conflitos no Campo Brasil 2023\u00a0da Comiss\u00e3o Pastoral da Terra\u00a0(CPT), de 2020 a junho de 2022, 14 lideran\u00e7as foram assassinadas e mais de 30 mil fam\u00edlias est\u00e3o amea\u00e7adas nos territ\u00f3rios quilombolas e comunidades tradicionais maranhenses. Foram registrados 178 conflitos no estado s\u00f3 esse ano.<\/span>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p><span lang=\"PT-BR\">O\u00a0Regional Nordeste 5 da\u00a0Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)\u00a0e a\u00a0Rede Eclesial\u00a0Pan-Amaz\u00f4nica\u00a0(REPAM-Brasil), manifestam profundo rep\u00fadio e de forma veemente denunciam a escalada de viol\u00eancia perpetrada contra o povo Quilombola do Maranh\u00e3o.\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/repam.org.br\/em-nota-regional-ne-5-denuncia-mais-um-assassinato-a-lider-quilombola-no-maranhao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/repam.org.br\/em-nota-regional-ne-5-denuncia-mais-um-assassinato-a-lider-quilombola-no-maranhao\/&amp;source=gmail&amp;ust=1699111904091000&amp;usg=AOvVaw2lq35tDrNPwGXQql8DbIOy\"><span lang=\"PT-BR\">Acesse<\/span><\/a><span lang=\"PT-BR\">\u00a0<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p lang=\"PT-BR\">\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p lang=\"PT-BR\"><span lang=\"PT-BR\">O arcebispo da arquidiocese de S\u00e3o Lu\u00eds do Maranh\u00e3o e presidente da Comiss\u00e3o Episcopal\u00a0para a Amaz\u00f4nia da CNBB, Dom Gilberto Pastana, falou sobre a escalada de viol\u00eancia na regi\u00e3o. \u201c<\/span><span lang=\"PT-BR\">N\u00f3s vivemos uma escalada de viol\u00eancia muito alta, alt\u00edssima, sobretudo, aqui, no campo do nosso Maranh\u00e3o. Entre os anos 2005 e 2023, 50 quilombolas foram assassinados em todo o pa\u00eds. Desses, 20, que representam 40%, s\u00e3o do estado do Maranh\u00e3o\u201d.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p lang=\"PT-BR\">\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p lang=\"PT-BR\"><span lang=\"PT-BR\">Dom Gilberto comentou o assassinato do quilombola Jos\u00e9 Alberto, conhecido na regi\u00e3o como\u00a0Doka. Segundo ele, esse \u00e9 um \u201ccrime b\u00e1rbaro\u201d que exige uma interven\u00e7\u00e3o do governo.\u00a0\u201cOs quilombolas de Monte Belo, por exemplo, aguardam\u00a0h\u00e1\u00a0mais de 20 anos a regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria do seu territ\u00f3rio e esse processo n\u00e3o anda,\u00a0\u00e9 uma morosidade grande. Ser\u00e1 que vai ser necess\u00e1rio morrer mais pessoas\u00a0ainda?\u201d, questiona.\u00a0<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p lang=\"PT-BR\">\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p lang=\"PT-BR\"><span lang=\"PT-BR\">\u201cA\u00a0impunidade desses crimes\u00a0\u00e9 uma aberra\u00e7\u00e3o contra a justi\u00e7a e a dignidade da vida humana.\u00a0N\u00f3s queremos acreditar e ser esperan\u00e7osos de que haver\u00e1, por parte dos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, um maior combate a essa viol\u00eancia\u201d,\u00a0destacou o presidente da Comiss\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"attachment_13002\" class=\"wp-caption photoswipe-wrapper alignleft\" style=\"width: 399px;\"><a class=\"dt-pswp-item pspw-wrap-ready\" href=\"http:\/\/repam.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Lideranca_Doka.jpg\" data-dt-img-description=\"Jos\u00e9 Alberto \u00e9 o d\u00e9cimo quilombola assassinado no Maranh\u00e3o. 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Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p lang=\"PT-BR\"><span lang=\"PT-BR\">O racismo estrutural enraizado\u00a0na sociedade, resulta em situa\u00e7\u00f5es inadmiss\u00edveis, tais como a priva\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 terra e \u00e1gua para as comunidades quilombolas, a intoler\u00e2ncia religiosa, o encarceramento em massa da juventude negra, e a viol\u00eancia contra as popula\u00e7\u00f5es moradoras das favelas, a imensa maioria tamb\u00e9m afrodescendentes. Das 1.327.802 pessoas quilombolas registrados no pa\u00eds, quase 90% ainda vivem em comunidades que n\u00e3o foram tituladas. Quase 500 territ\u00f3rios est\u00e3o em alguma fase da delimita\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p lang=\"PT-BR\">\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p lang=\"PT-BR\"><span lang=\"PT-BR\">O Censo do IBGE mostra que foram contabilizadas 426.449 pessoas quilombolas nos munic\u00edpios da Amaz\u00f4nia Legal, o que representa 1,60% da popula\u00e7\u00e3o residente total da regi\u00e3o, sendo 32,11% do total da popula\u00e7\u00e3o quilombola residente no Brasil. A presen\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o quilombola residente na Amaz\u00f4nia Legal nos territ\u00f3rios oficialmente delimitados \u00e9 superior ao cen\u00e1rio nacional: enquanto na Amaz\u00f4nia Legal 18,97% da popula\u00e7\u00e3o quilombola reside em territ\u00f3rios delimitados, para o conjunto do pa\u00eds esse percentual \u00e9 de 12,59%.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p lang=\"PT-BR\">\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p lang=\"PT-BR\"><span lang=\"PT-BR\">Para lidar com esses conflitos, \u00e9 fundamental garantir o respeito aos direitos das comunidades quilombolas, incluindo o reconhecimento e a demarca\u00e7\u00e3o de suas terras, bem como a promo\u00e7\u00e3o de di\u00e1logo e media\u00e7\u00e3o entre as partes envolvidas. A implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas que valorizem a cultura, a autonomia e os direitos territoriais das comunidades quilombolas tamb\u00e9m desempenha um papel importante na busca por solu\u00e7\u00f5es pac\u00edficas e justas para esses conflitos.<\/span><\/p>\n<p lang=\"PT-BR\">Fonte: REPAM<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<div class=\"gmail_signature\" dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\" data-smartmail=\"gmail_signature\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maranh\u00e3o \u00e9\u00a0o 3\u00b0estado do pa\u00eds com maior n\u00famero de conflitos agr\u00e1rios Vivemos o embate da viol\u00eancia e forte racismo contra o povo quilombola. De forma associada a isso, o peso das disputas territoriais promovidas por fazendeiros e outros atores com poder econ\u00f4mico respons\u00e1veis por diferentes ataques \u00e0s comunidades. 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