{"id":25860,"date":"2025-07-23T00:48:58","date_gmt":"2025-07-23T03:48:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornaldaconstrucaocivil.com.br\/?p=25860"},"modified":"2025-07-23T00:48:58","modified_gmt":"2025-07-23T03:48:58","slug":"quem-lucra-e-quem-paga-a-conta-do-modelo-energetico-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/construcaocivil.siriusmarketingedesign.com.br\/?p=25860","title":{"rendered":"Quem lucra e quem paga a conta do modelo energ\u00e9tico no Brasil?"},"content":{"rendered":"<div id=\"single-the-excerpt\">\n<div class=\"post-excerpt\">\n<p>Em todo o pa\u00eds, o pre\u00e7o da energia pesa mais no bolso de quem j\u00e1 vive no limite. No total, mais de 23 milh\u00f5es de brasileiros est\u00e3o com as contas atrasadas, e paulistas enfrentam o recente aumento de quase 14% no pre\u00e7o da energia<\/p>\n<div class=\"author\">por\u00a0<a href=\"https:\/\/mab.org.br\/autor\/victoria-holzbach-mab\/\">Vict\u00f3ria Holzbach \/ MAB<\/a><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Julho, 2025 &#8211; Se vai tomar banho, tem que ser ligeiro. Se usar o micro-ondas, desliga da tomada depois. Se precisar passar roupa, n\u00e3o pode ser a roupa da semana toda. O relato certamente n\u00e3o \u00e9 estranho pra quem l\u00ea. Essa \u00e9 a realidade de Maiane Santos, na Vila Perus, zona noroeste da cidade de S\u00e3o Paulo, e tamb\u00e9m de milhares de brasileiros em todo o pa\u00eds que vivem em cada detalhe da rotina di\u00e1ria o medo da conta de luz no fim do m\u00eas.<\/p>\n<\/div>\n<p>O encarecimento da energia el\u00e9trica n\u00e3o altera s\u00f3 a rotina no dia a dia, mas toda a organiza\u00e7\u00e3o financeira familiar: \u201cJ\u00e1 \u00e9 um dinheiro que voc\u00ea deixa de comprar alguma coisa. Um leite, uma carne, uma salada, uma mistura para o arroz. Ou at\u00e9 um l\u00e1pis, uma borracha, um caderno pro filho levar pra escola\u201d, relata Maiane.<\/p>\n<p>A pesquisa de opini\u00e3o p\u00fablica<a href=\"https:\/\/polis.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/justica-energetica.pdf\">\u00a0Justi\u00e7a Energ\u00e9tica<\/a>, do Instituto P\u00f3lis, aponta que gastos com alimenta\u00e7\u00e3o e energia s\u00e3o os que mais impactam no or\u00e7amento dom\u00e9stico para metade das pessoas entrevistadas. O estudo alerta que 6 a cada 10 fam\u00edlias da classe D\/E \u2013 mais de 23 milh\u00f5es de brasileiros \u2013 est\u00e3o com as contas de luz atrasadas. Entre aqueles que conseguem manter a conta em dia, muitos relatam que uma alternativa tem sido a redu\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o aquisi\u00e7\u00e3o de alimentos b\u00e1sicos e bens de consumo.<\/p>\n<p>Em um pa\u00eds que fica sempre entre os primeiros lugares no ranking das tarifas de energia mais caras do mundo, os brasileiros sentem o impacto ano ap\u00f3s ano e o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) acompanha esta realidade junto com o povo, lutando pela redu\u00e7\u00e3o da conta de luz, por tarifa social e por uma transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica justa e popular.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-62220\" src=\"https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Foto-2-Os-brasileiros-precisam-trabalhar-cada-vez-mais-para-conseguir-manter-em-dia-a-conta-de-luz.Foto_-Sergio-Amaral_MDS.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 860px) 100vw, 860px\" srcset=\"https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Foto-2-Os-brasileiros-precisam-trabalhar-cada-vez-mais-para-conseguir-manter-em-dia-a-conta-de-luz.Foto_-Sergio-Amaral_MDS.jpg 860w, https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Foto-2-Os-brasileiros-precisam-trabalhar-cada-vez-mais-para-conseguir-manter-em-dia-a-conta-de-luz.Foto_-Sergio-Amaral_MDS-300x199.jpg 300w, https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Foto-2-Os-brasileiros-precisam-trabalhar-cada-vez-mais-para-conseguir-manter-em-dia-a-conta-de-luz.Foto_-Sergio-Amaral_MDS-768x509.jpg 768w, https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Foto-2-Os-brasileiros-precisam-trabalhar-cada-vez-mais-para-conseguir-manter-em-dia-a-conta-de-luz.Foto_-Sergio-Amaral_MDS-205x136.jpg 205w, https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Foto-2-Os-brasileiros-precisam-trabalhar-cada-vez-mais-para-conseguir-manter-em-dia-a-conta-de-luz.Foto_-Sergio-Amaral_MDS-480x318.jpg 480w\" alt=\"\" width=\"860\" height=\"570\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Os brasileiros precisam trabalhar cada vez mais para conseguir manter em dia a conta de luz. Foto: Sergio Amaral \/ MDS<\/figcaption><\/figure>\n<p>Robson Formica, membro da coordena\u00e7\u00e3o nacional do MAB, explica: \u201cO impacto \u00e9 mais uma forma de superexplora\u00e7\u00e3o do trabalho, tanto do ponto de vista de quem trabalha no setor el\u00e9trico, mas tamb\u00e9m uma superexplora\u00e7\u00e3o do trabalho de quem consome. Porque voc\u00ea precisa despender muito mais tempo de trabalho relativo ao seu sal\u00e1rio, para poder acessar eletricidade.\u201d<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio compreender o amplo e complexo cen\u00e1rio que afeta profundamente a vida das fam\u00edlias brasileiras. Robson ressalta que, antes de tudo, est\u00e1 aquilo que j\u00e1 impacta nossas vidas nos mais diversos aspectos: o neoliberalismo e a supremacia do capital. A inten\u00e7\u00e3o primeira \u00e9 a gera\u00e7\u00e3o do lucro, e n\u00e3o garantia \u00e0 popula\u00e7\u00e3o do acesso a um servi\u00e7o de qualidade.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cA energia j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais precificada pelo seu custo real de produ\u00e7\u00e3o, mas sim pelo seu pre\u00e7o no mercado internacional. A quest\u00e3o \u00e9 que no Brasil, a maior parte da eletricidade \u00e9 produzida a partir de fonte hidr\u00e1ulica, que tem um custo de produ\u00e7\u00e3o muito menor do que a energia em escala global, j\u00e1 que as grandes matrizes de produ\u00e7\u00e3o de energia em n\u00edvel mundial s\u00e3o os combust\u00edveis f\u00f3sseis: carv\u00e3o, g\u00e1s natural, petr\u00f3leo. E eles t\u00eam um custo de produ\u00e7\u00e3o muito maior do que a eletricidade produzida aqui\u201d, analisa Formica.<\/p><\/blockquote>\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Privatizar n\u00e3o \u00e9 o caminho!<\/strong><\/h3>\n<p>A pesquisa do Instituto P\u00f3lis constata que, para 84% dos brasileiros, a energia el\u00e9trica deveria ser um direito fundamental garantido pelo Estado. A ampla maioria da popula\u00e7\u00e3o defende, inclusive, que a falta de capacidade de pagamento da conta de luz n\u00e3o deve sujeitar as fam\u00edlias inadimplentes a cortes de fornecimento, visto que o acesso \u00e0 energia el\u00e9trica deveria ser assegurado como direito inviol\u00e1vel.<\/p>\n<p>Infelizmente, essa n\u00e3o \u00e9 a realidade que vivemos no ch\u00e3o de nossas comunidades. Cortes cada vez mais frequentes, aumentos recorrentes de tarifas, redes sucateadas sem manuten\u00e7\u00e3o constante e nenhum canal efetivo de comunica\u00e7\u00e3o. No outro lado, os acionistas \u2013 muitas vezes internacionais \u2013 colhem os lucros rendidos \u00e0s custas do sofrimento do povo.<\/p>\n<p>Na boca das empresas, h\u00e1 sempre uma boa desculpa para justificar o aumento ou a interrup\u00e7\u00e3o no fornecimento. Mas, a verdade \u00e9 que, a partir do processo de privatiza\u00e7\u00e3o pelo que passou o Brasil nos anos 1990, a energia se tornou uma mercadoria internacionalizada, precificada a partir dos par\u00e2metros globais. Entretanto, o pre\u00e7o abusivo n\u00e3o se justifica de forma alguma no territ\u00f3rio brasileiro, j\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 custo na mat\u00e9ria prima de nossa produ\u00e7\u00e3o: a \u00e1gua. \u00c9 verdade que existem custos de distribui\u00e7\u00e3o e um investimento inicial alto, necess\u00e1rio para a constru\u00e7\u00e3o das usinas hidrel\u00e9tricas, mas que ainda assim n\u00e3o justificam as cobran\u00e7as abusivas.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-62223\" src=\"https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Foto-3-Energia-nao-e-mercadoria-e-privatizar-e-entregar-um-bem-fundamental-ao-povo-para-o-capital.Foto_-Marta-Fleita_MAB-1024x683.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Foto-3-Energia-nao-e-mercadoria-e-privatizar-e-entregar-um-bem-fundamental-ao-povo-para-o-capital.Foto_-Marta-Fleita_MAB-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Foto-3-Energia-nao-e-mercadoria-e-privatizar-e-entregar-um-bem-fundamental-ao-povo-para-o-capital.Foto_-Marta-Fleita_MAB-300x200.jpg 300w, https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Foto-3-Energia-nao-e-mercadoria-e-privatizar-e-entregar-um-bem-fundamental-ao-povo-para-o-capital.Foto_-Marta-Fleita_MAB-768x512.jpg 768w, https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Foto-3-Energia-nao-e-mercadoria-e-privatizar-e-entregar-um-bem-fundamental-ao-povo-para-o-capital.Foto_-Marta-Fleita_MAB-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Foto-3-Energia-nao-e-mercadoria-e-privatizar-e-entregar-um-bem-fundamental-ao-povo-para-o-capital.Foto_-Marta-Fleita_MAB-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Foto-3-Energia-nao-e-mercadoria-e-privatizar-e-entregar-um-bem-fundamental-ao-povo-para-o-capital.Foto_-Marta-Fleita_MAB-205x137.jpg 205w, https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Foto-3-Energia-nao-e-mercadoria-e-privatizar-e-entregar-um-bem-fundamental-ao-povo-para-o-capital.Foto_-Marta-Fleita_MAB-480x320.jpg 480w, https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Foto-3-Energia-nao-e-mercadoria-e-privatizar-e-entregar-um-bem-fundamental-ao-povo-para-o-capital.Foto_-Marta-Fleita_MAB-272x182.jpg 272w\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Energia n\u00e3o \u00e9 mercadoria e privatizar \u00e9 entregar um bem fundamental ao povo para o capital. Foto: Marta Fleita \/ MAB<\/figcaption><\/figure>\n<p>Robson lembra que, em 2013, a ent\u00e3o presidenta Dilma Rousseff conseguiu baixar o pre\u00e7o da energia em torno de 20%, ao exigir que as empresas aderissem a um pacote de renova\u00e7\u00e3o das concess\u00f5es que previa redu\u00e7\u00e3o no pre\u00e7o final, considerando especialmente que a constru\u00e7\u00e3o da usina j\u00e1 estava paga pela concess\u00e3o anterior. E que, portanto, com baix\u00edssimo custo de mat\u00e9ria prima, j\u00e1 n\u00e3o fazia sentido seguir cobrando o mesmo pre\u00e7o de energia. Tamb\u00e9m hoje ele v\u00ea a urg\u00eancia de que \u201co Estado tome dire\u00e7\u00e3o e decis\u00e3o pol\u00edtica para mudar a precifica\u00e7\u00e3o da energia\u201d.<\/p>\n<p>Outro fator que contribui para o aumento tem rela\u00e7\u00e3o com o Sistema Interligado Nacional (SIN). No Brasil, as empresas de energia se interligam atrav\u00e9s do SIN para garantir equil\u00edbrio na distribui\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 um sistema altamente eficiente. Historicamente, quando h\u00e1 per\u00edodos de maior estiagem no Sul e Sudeste, os ciclos hidrol\u00f3gicos no Nordeste e Norte est\u00e3o em alta e compensam. Depois o contr\u00e1rio, quando o Norte e o Nordeste est\u00e3o em ciclo hidrol\u00f3gico menos intenso, Sul e Sudeste compensam\u201d, esclarece Robson. Ele ainda explica que, com o processo de privatiza\u00e7\u00e3o, essa organiza\u00e7\u00e3o se torna menos eficaz. Porque a a\u00e7\u00e3o do setor deixa de ser estrat\u00e9gica em favor do abastecimento para a popula\u00e7\u00e3o, e passa a ser estrat\u00e9gica do ponto de vista da acumula\u00e7\u00e3o de riqueza para as empresas. \u201c\u00c0s vezes, ao pr\u00f3prio setor interessa a escassez, porque ela justifica o aumento do pre\u00e7o\u201d, real\u00e7a Robson.<\/p>\n<p>A partir das privatiza\u00e7\u00f5es, temos \u201cuma concep\u00e7\u00e3o de energia mercadol\u00f3gica, que \u00e9 a ess\u00eancia do neoliberalismo. Ent\u00e3o, n\u00e3o temos mais a energia como um servi\u00e7o p\u00fablico, como um insumo para o processo de produ\u00e7\u00e3o e para a reprodu\u00e7\u00e3o da vida material, mas como uma mercadoria\u201d, salienta Robson.<\/p>\n<p>Um dos maiores retrocessos neste contexto ocorreu durante o governo Bolsonaro: a privatiza\u00e7\u00e3o da Eletrobr\u00e1s. A empresa estatal controlava 48 usinas hidrel\u00e9tricas e aproximadamente metade dos reservat\u00f3rios do pa\u00eds. Transferir esse patrim\u00f4nio estrat\u00e9gico para o setor privado representa uma grave amea\u00e7a, tanto para a seguran\u00e7a energ\u00e9tica nacional, quanto para o acesso \u00e0 \u00e1gua, j\u00e1 que esses reservat\u00f3rios possuem m\u00faltiplas fun\u00e7\u00f5es \u2013 como abastecimento p\u00fablico, navega\u00e7\u00e3o, atividades tur\u00edsticas e agricultura. Outro agravante foi o fim da tarifa subsidiada, que mantinha o pre\u00e7o da energia abaixo da m\u00e9dia nacional, beneficiando a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>S\u00e3o Paulo enfrenta quase 14% de aumento<\/strong><\/h3>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-62243\" src=\"https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/WhatsApp-Image-2025-07-21-at-18.07.53-1024x682.jpeg\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/WhatsApp-Image-2025-07-21-at-18.07.53-1024x682.jpeg 1024w, https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/WhatsApp-Image-2025-07-21-at-18.07.53-300x200.jpeg 300w, https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/WhatsApp-Image-2025-07-21-at-18.07.53-768x512.jpeg 768w, https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/WhatsApp-Image-2025-07-21-at-18.07.53-1536x1023.jpeg 1536w, https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/WhatsApp-Image-2025-07-21-at-18.07.53-205x137.jpeg 205w, https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/WhatsApp-Image-2025-07-21-at-18.07.53-480x320.jpeg 480w, https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/WhatsApp-Image-2025-07-21-at-18.07.53-272x182.jpeg 272w, https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/WhatsApp-Image-2025-07-21-at-18.07.53.jpeg 1600w\" alt=\"Em S\u00e3o Paulo, atingidos lutam contra a alta tarifa e a m\u00e1 qualidade do servi\u00e7o da Enel. Foto: Pedro Salvador MAB\" width=\"1024\" height=\"682\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Em S\u00e3o Paulo, atingidos lutam contra a alta tarifa e a m\u00e1 qualidade do servi\u00e7o da Enel. Foto: Pedro Salvador \/ MAB<\/figcaption><\/figure>\n<p>Desde o in\u00edcio de julho, 24 munic\u00edpios da regi\u00e3o metropolitana, incluindo a capital paulista, t\u00eam que lidar com o aumento m\u00e9dio de 13,94% nas tarifas de energia. Aprovado pela Ag\u00eancia Nacional de Energia El\u00e9trica (Aneel), o aumento acontece em um momento em que j\u00e1 existe precariza\u00e7\u00e3o da vida das pessoas mais pobres por conta da infla\u00e7\u00e3o, que recai sobre v\u00e1rios outros itens de consumo.<\/p>\n<p>Moradora do bairro Baleia Verde, em S\u00e3o Sebasti\u00e3o, Alzenira Bezerra, conta: \u201cEu n\u00e3o estou trabalhando, sou m\u00e3e solteira, s\u00f3 tenho o benef\u00edcio do Bolsa Fam\u00edlia para pagar mais de R$200 de luz e mais de R$200 de condom\u00ednio. A\u00ed me resta o que para comer com meu filho?\u201d.<\/p>\n<p>O reajuste aplicado pela Enel, e os frequentes apag\u00f5es em S\u00e3o Paulo, ajudam a explicitar os maiores problemas da privatiza\u00e7\u00e3o. O controle da energia pelas empresas privadas leva ao sucateamento do pr\u00f3prio sistema, onde o processo de planejamento e o investimento em manuten\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o das linhas \u00e9 abandonado. \u201cPor que ficar gastando valores importantes e expressivos em manuten\u00e7\u00e3o preventiva da linha, se eu posso antecipar isso para distribuir para os meus acionistas, transformando em dividendos?! Essa \u00e9 a l\u00f3gica do capital financeiro, que \u00e9 o lucro imediato num curto espa\u00e7o de tempo\u201d, pontua Robson Formica.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Aneel, a servi\u00e7o de quem?<\/strong><\/h3>\n<p>Ao olhar para o cen\u00e1rio da energia no Brasil, \u00e9 preciso falar sobre a Ag\u00eancia Nacional de Energia El\u00e9trica (Aneel). O \u00f3rg\u00e3o atua em todas as etapas da cadeia: desde a gera\u00e7\u00e3o, transmiss\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o, at\u00e9 a comercializa\u00e7\u00e3o da energia. Na teoria, \u00e9 respons\u00e1vel por promover leil\u00f5es para contrata\u00e7\u00e3o de empresas que atuam no setor, definir tarifas e reajustes, al\u00e9m de garantir a qualidade do servi\u00e7o prestado.<\/p>\n<p>Entretanto, o que vemos na Aneel \u00e9 uma estrutura viciada, dispon\u00edvel para servir os interesses do capital e n\u00e3o para garantir efic\u00e1cia, justi\u00e7a e qualidade na distribui\u00e7\u00e3o. \u201cHoje, sua capacidade regulat\u00f3ria est\u00e1 muito vinculada a uma estrutura subordinada ao modelo energ\u00e9tico e ao setor el\u00e9trico, a partir da l\u00f3gica do mercado\u201d, analisa Robson.<\/p>\n<p>Para ele, o foco da regula\u00e7\u00e3o da Aneel tem sido muito mais no sentido de garantir a energia el\u00e9trica e a regula\u00e7\u00e3o da energia como mercadoria, e n\u00e3o como algo estrat\u00e9gico para o desenvolvimento do pa\u00eds e como um elemento fundamental da vida do povo. A verdade, segundo Robson, \u201c\u00e9 que ela est\u00e1 muito mais interessada na viabilidade econ\u00f4mica e financeira das empresas do que propriamente em atender e satisfazer as necessidades do povo brasileiro ou de um projeto nacional. Por isso, ela acaba tomando decis\u00f5es e atuando como um bra\u00e7o de Estado do pr\u00f3prio setor e das pr\u00f3prias empresas, como um agente regulador do mercado de eletricidade, e n\u00e3o atuando a partir de uma estrat\u00e9gia de desenvolvimento ou propriamente de atender o povo brasileiro com energia acess\u00edvel, barata e de qualidade\u201d.<\/p>\n<p>A partir desse contexto, \u00e9 muito comum que a Ag\u00eancia Nacional aprove os processos de privatiza\u00e7\u00e3o e, at\u00e9 mais do que isso, incentive-os. \u201cNo fim, o papel dela acaba sendo contra o povo, contra uma energia de melhor qualidade e mais barata, contra um modelo eficiente. Ela privilegia esses aspectos regulat\u00f3rios para garantir lucro, energia como mercadoria e n\u00e3o energia como um elemento fundamental da vida do povo brasileiro\u201d, finaliza Robson.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Afinal, h\u00e1 sa\u00edda?<\/strong><\/h3>\n<p>N\u00e3o sem luta, n\u00e3o sem enfrentamento, n\u00e3o sem press\u00e3o. Mas \u00e9 poss\u00edvel sim pensar caminhos. Eles implicam em uma grande disposi\u00e7\u00e3o do governo e da luta social em construir um modelo diferente do que est\u00e1 posto.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201c\u00c9 preciso um modelo que n\u00e3o tenha como centro a energia como mercadoria, que n\u00e3o tenha o mercado como mediador das rela\u00e7\u00f5es de compra e venda e nem como mediador para estabelecer os pre\u00e7os da energia. Essa l\u00f3gica, que vem desde o in\u00edcio da privatiza\u00e7\u00e3o, j\u00e1 demonstrou que n\u00e3o vai levar \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os, n\u00e3o vai tornar o sistema mais eficiente e n\u00e3o vai tornar a energia mais acess\u00edvel\u201d, alerta Robson.<\/p><\/blockquote>\n<p>Para o MAB, o caminho passa pela reestatiza\u00e7\u00e3o do setor el\u00e9trico, o que j\u00e1 aconteceu na Fran\u00e7a e em alguns pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina. Isso porque nos \u00fanicos momentos em que a energia efetivamente foi precificada pelo seu custo, e n\u00e3o como mercadoria, foi quando o Estado atuou.<\/p>\n<p>Em plena crise clim\u00e1tica, \u00e9 preciso recuperar a soberania sobre o setor energ\u00e9tico, adotando medidas para universalizar o acesso, e na certeza de que, sem participa\u00e7\u00e3o popular, a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica s\u00f3 reproduz injusti\u00e7as e fortalece o capital.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/mab.org.br\/apoieosatingidos\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-43193\" src=\"https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/apoie-3.png\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" srcset=\"https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/apoie-3.png 800w, https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/apoie-3-300x26.png 300w, https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/apoie-3-768x67.png 768w, https:\/\/mab.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/apoie-3-205x18.png 205w\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"70\" \/><\/a><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"post-info\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em todo o pa\u00eds, o pre\u00e7o da energia pesa mais no bolso de quem j\u00e1 vive no limite. No total, mais de 23 milh\u00f5es de brasileiros est\u00e3o com as contas atrasadas, e paulistas enfrentam o recente aumento de quase 14% no pre\u00e7o da energia por\u00a0Vict\u00f3ria Holzbach \/ MAB &nbsp; Julho, 2025 &#8211; Se vai tomar [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":25861,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[29],"tags":[27676,27678,22768,27677,11014],"class_list":["post-25860","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-energia","tag-casa-popular-luz","tag-distribuidoras-monopolio","tag-mab","tag-preco-da-luz","tag-setor-eletrico"],"blocksy_meta":[],"spectra_blocks_featured_image_url":{"thumbnail":{"url":"https:\/\/construcaocivil.siriusmarketingedesign.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Capa-O-povo-sente-a-cada-dia-o-preco-da-luz-pesar-no-bolso-e-diminuir-as-possibilidades-de-uma-melhoria-na-cesta-basica.-Foto_-Pedro-Salvador_MAB-1024x682-1-150x150.jpg","width":150,"height":150},"medium":{"url":"https:\/\/construcaocivil.siriusmarketingedesign.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Capa-O-povo-sente-a-cada-dia-o-preco-da-luz-pesar-no-bolso-e-diminuir-as-possibilidades-de-uma-melhoria-na-cesta-basica.-Foto_-Pedro-Salvador_MAB-1024x682-1-300x200.jpg","width":300,"height":200},"medium_large":{"url":"https:\/\/construcaocivil.siriusmarketingedesign.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Capa-O-povo-sente-a-cada-dia-o-preco-da-luz-pesar-no-bolso-e-diminuir-as-possibilidades-de-uma-melhoria-na-cesta-basica.-Foto_-Pedro-Salvador_MAB-1024x682-1-768x512.jpg","width":768,"height":512},"large":{"url":"https:\/\/construcaocivil.siriusmarketingedesign.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Capa-O-povo-sente-a-cada-dia-o-preco-da-luz-pesar-no-bolso-e-diminuir-as-possibilidades-de-uma-melhoria-na-cesta-basica.-Foto_-Pedro-Salvador_MAB-1024x682-1.jpg","width":1024,"height":682},"full":{"url":"https:\/\/construcaocivil.siriusmarketingedesign.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Capa-O-povo-sente-a-cada-dia-o-preco-da-luz-pesar-no-bolso-e-diminuir-as-possibilidades-de-uma-melhoria-na-cesta-basica.-Foto_-Pedro-Salvador_MAB-1024x682-1.jpg","width":1024,"height":682}},"spectra_blocks_author_info":{"display_name":"Jornal da Constru\u00e7\u00e3o Civil","avatar_url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/973c9774fd44ddaceb026973c4962faa70fc512bc4c9da68e8ebb40fecee6540?s=96&d=mm&r=g","author_link":"https:\/\/construcaocivil.siriusmarketingedesign.com.br\/?author=1","description":"Desde de 2013, levando muitas informa\u00e7\u00f5es, lan\u00e7amentos e produtos de qualidade para toda cadeia produtiva da constru\u00e7\u00e3o. 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